<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710</id><updated>2012-02-16T11:20:17.538-02:00</updated><category term='Destemperos da beleza'/><category term='Azdro e a mariposa'/><category term='Parcialmente divinos'/><category term='Os condões da feitiçaria moderna'/><category term='O Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos'/><category term='A sombra de Valuno'/><category term='Apolinário'/><category term='Sete'/><category term='Histórias de uma dama'/><title type='text'>Quarto de Hora</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>154</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-2448178594858689163</id><published>2011-09-29T23:42:00.000-03:00</published><updated>2011-09-29T23:47:07.669-03:00</updated><title type='text'>Edelweiss</title><content type='html'>A moça entrou na maison encantada com os vestidos de casamento tão cobiçados de Sissi Maldonado. Um perfume floral feminino dançava pelos ares do local e, por sorte, não havia qualquer atendente para estragar a linda experiência provocada pelo que se via e se sentia, no olfato e na pele, pois as noivas não podiam privar-se dos arrepios romanceados da escolha do traje. O segredo da marca, todos sabiam, era que os vestidos tinham desenhos e cortes simples, mas traziam detalhes minuciosos, bordados finíssimos e pedrarias raras. Nos acabamentos estavam os detalhes, feitos com o mesmo zelo do fronte ao barrado, por exemplo, cuja única função era derramar-se pelo chão. Os bordados eram a materialização da perfeição: bem alinhavados, pomposos, exuberantes, certos de que permaneceriam vivos anos e anos na memória de toda gente. Eram, porém, as pedrarias que caracterizavam as criações da velha Maldonado. Nada menos esplêndido e valioso que pérolas turquesas&amp;nbsp;e nada menos vivaz que opalas delicadamente lapidadas&amp;nbsp;poderia adornar seus vestidos. Sissi Maldonado era um ditadora da elegância, uma senhora e uma escrava de seus próprios desejos. Na maison, deslumbrada com tal paraíso de vaidades, a moça teve a convicção de que gastaria o que fosse para ter um pedacinho daquele luxo eterno para si. Possivelmente investiria cinco ou seis vezes mais que escolhendo um vestido em outra loja, mas calar suas vontades não estava nos planos. Um vestido de Sissi Maldonado era como uma joia de beleza impossível e ardente, enterrada em águas profundas e que ao ser encontrada brilharia convicta de sua alma rebelde e jovem. Havia de valer a pena. Não era tanto pelo desejo de trazer sobre si o mais apropriado e belo para o dia do casamento, não era pelas obrigações formais do festejo, mas pelo simples desejo de atestar que dentro de um daqueles vestidos caríssimos estaria uma personalidade adorável, uma mulher de gosto apurado, um exemplo do desvario sadio. A moça olhou tudo sem pressa, chamou uma das atendentes e fez a compra. Edelweiss era o nome do traje escolhido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-2448178594858689163?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/2448178594858689163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=2448178594858689163&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2448178594858689163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2448178594858689163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/09/edelweiss.html' title='Edelweiss'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3575035031999545758</id><published>2011-06-19T22:45:00.005-03:00</published><updated>2011-07-05T11:14:25.776-03:00</updated><title type='text'>A dor que se vê</title><content type='html'>Queria poder dizer que infeliz me arrependo das coisas que não fiz, mas não posso. Seria a mentira mais deslavada que compartilharia na vida. Primeiro porque acredito que os atos consumados sejam os que causam algum tipo de ressentimento, do mais leve ao mais mortífero e amargo, uma vez que não possam ser apagados ou desfeitos. E segundo porque se houver qualquer coisa a ser feita durante minha existência, por mais grandiosa e inatingível que possa parecer, nada me faz crer que não possa de fato ser feita. Por isso julgo ingênua a ideia do arrepender-se pelas coisas não materializadas. Que fosse sentir arrependimento pelas ações que impediram alguém de fazer ou conquistar algo, vá lá, mas sentir-se ressentido com aquilo que ainda não aconteceu parece fazer tanto sentido quanto chorar por não ter aceitado uma fatia de bolo mais no casamento do primo ou torturar-se por não ter comprado o vestido Dior em liquidação na viagem a New York. Palavras de carinho não ditas podem ser ditas, sabores não degustados podem ser degustados, passos não dados podem ser dados. Nem aqueles que deixaram de dizer algo a um ente querido que se foi e que se martirizam porque não o fizeram, deveriam alimentar em si qualquer arrependimento. O simples ato de refletir internamente, dizer para si mesmo aquilo que deveria ter sido dito, parece uma saída mais lógica e humana para a situação. A vida é, por seus próprios caprichos, dolorosa e complexa o suficiente para ser povoada por pensamentos severos, banhados em arrependimentos desnecessários. Antes me vejo perdendo noites de sono por aquilo que fiz ou disse, transformando de algum modo a vida de uma pessoa em algo menos valioso, que lamentando por aquilo que não aconteceu, por algo que talvez nem valha o esforço de ser executado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3575035031999545758?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3575035031999545758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3575035031999545758&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3575035031999545758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3575035031999545758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/06/dor-que-se-ve.html' title='A dor que se vê'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-8922591434717081698</id><published>2011-05-21T20:01:00.002-03:00</published><updated>2011-09-18T23:49:26.452-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Parcialmente divinos'/><title type='text'>Parcialmente divinos: O dia sétimo</title><content type='html'>Nos dias de sábado, Teo Arcanjos organizava em sua residência um encontro para discussão crítica da Bíblia. Seus convites aos participantes eram realizados discretamente, geralmente direcionados a crentes fervorosos de diversas vertentes do cristianismo. No pequeno cartão azul que entregava a homens, mulheres, velhos e jovens, podia-se ler impresso em letras prateadas o sobrenome "Arcanjos" e provocadoras mensagens como: "Teria Cristo realmente multiplicado peixes?" e "Talvez Maria fosse tão virgem quanto qualquer outra mulher grávida". Desconfiadas, as pessoas apanhavam aquele pequeno pedaço de papel cartonado e, na maioria das vezes, lançavam um olhar reprovador e amargo para Teo. Em alguns casos, o cartão era sumariamente amassado e, num gesto, que se diria nada religioso – e nada educado –, atirado ao chão. O rapaz estava acostumado, porém. Era difícil encontrar pessoas dispostas e entender e pôr em dúvida as palavras contidas no livro do Senhor, um livro que tivera sido escrito pelos homens. Quando um daqueles devotos, ao receber o cartão azul de Arcanjos, demonstrava algum interesse em sua proposta, ele aproveitava para falar mais sobre os encontros e colocar a opinião de grandes homens como Mark Twain, que considerava a Bíblia uma biografia condenável. Havia gente disposta a entender linha a linha o que desejava dizer o Livro, felizmente. Teo Arcanjos sabia que, apesar dos pesares, para a ira de toda gente retrógrada, sua lindíssima residência estava sempre bem servida de fiéis questionadores, dispostos a crer sem abdicar de uma porção – ainda que modesta – de razão e coerência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-8922591434717081698?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/8922591434717081698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=8922591434717081698&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8922591434717081698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8922591434717081698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/05/parcialmente-divinos-o-dia-setimo.html' title='Parcialmente divinos: O dia sétimo'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3848939689157963243</id><published>2011-05-17T22:30:00.008-03:00</published><updated>2011-05-21T19:37:07.106-03:00</updated><title type='text'>Sem sobremesa</title><content type='html'>Na cidadezinha do interior, a mãe, o pai e os três filhos almoçavam silenciosamente. A toalha da mesa, alva, rendada, acariciava cada um dos membros da família embalada pelo vento, de algum modo desconfortável com seu gracejo despropositado. Havia, como de costume, um tom de monotonia ditatorial presente nos momentos de refeição daquela casa, o que impunha certos comportamentos rígidos. Ninguém falava qualquer palavra, por exemplo; talheres eram manuseados com precisão exagerada para evitar ruídos de qualquer tipo, a comida era servida pontualmente às doze e quinze, nenhum líquido era bebido enquanto se comia, ninguém se levantava da mesa até que todos tivessem terminado suas refeições. Quando os pratos e talheres vibraram estranhamente durante o almoço daquele dia, porém, todos levantaram suas cabeças e olharam em direção à janela da sala. O pai fez um discreto comentário, sugerindo que todos voltassem a comer, mas nem bem terminou de falar e a mesa voltou a tremer e pequenos ruídos ecoaram de todos os cantos da casa. A mãe esboçou um semblante de falsa tranquilidade, apertando os talheres com mais força que o necessário. De repente outro tremor, e outro. O evento se repetiu muitas vezes, aumentando gradativamente em intensidade. Um prato caiu da mesa, partiu-se e espalhou pelo chão a comida que tinha sobre si. Um garfo trepidou de um lado para o outro e caiu sobre o colo de um dos filhos. O vaso de flores ficou no limite de se quebrar, sendo amparado pelas mãos do pai que, visivelmente consternado, depositou o arranjo de volta ao centro da mesa e se deslocou até a janela. A mãe e os três filhos logo fizeram o mesmo, caminhando ritmados pelos tremores misteriosos. Reunidos, os cinco membros da família tiveram uma visão aterrorizante: milhares de milhões de cavalos negros montados por criaturas monstruosas vinham em direção à casa. As criaturas podiam ser descritas como figuras cadavéricas, com barbas e cabelos desgrenhados e secos, com chifres compridos nas cabeças e asas translúcidas. Aquilo provavelmente representava o apocalipse. A mãe fechou a vidraça da janela e as cortinas. Os filhos olharam para o estado da casa: objetos caídos, móveis deslocados, os pratos e os talheres na mesa de jantar desordenados. Voltaram-se para os pais. De repente a escuridão, mais tremores, ruídos de vidraças explodindo e, logo, o mais pleno silêncio. Súbito as luzes voltaram e todos os tremores cessaram. Em meio a talheres e estilhaços de vidro, a família: violada, desorientada, em completo temor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3848939689157963243?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3848939689157963243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3848939689157963243&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3848939689157963243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3848939689157963243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/05/sem-sobremesa.html' title='Sem sobremesa'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-5805531316207254511</id><published>2011-05-15T15:59:00.005-03:00</published><updated>2011-06-19T21:52:00.956-03:00</updated><title type='text'>Quem foi, afinal, Catalina Branco?</title><content type='html'>&lt;div&gt;— Eis uma boa pergunta. Realmente não sei. Nunca consegui saber quem era ela realmente, ou nunca quis sabê-lo. Como uma tela vazia, parecia aguardar que lhe pintassem alguma coisa, que lhe dissessem quem ser, o que representar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— O senhor acredita ter feito esse trabalho?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— O de pintar Catalina Branco? Sem dúvida que sim. Olhei para ela, uma atriz comum, insegura, e lembrei de mim mesmo na juventude, quando esperava que alguém tomasse a iniciativa de me mostrar qual era o caminho a seguir. Senti-me na obrigação de ajudá-la, de lhe indicar uma direção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Como se conheceram?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Há quatro anos ela surgiu em minha clínica para retirar um sinal de nascença, uma bobagem qualquer dessas. Veio até minha sala de consultas com os olhos perdidos, chorosos, queixando-se da dificuldade em conseguir um bom papel e consolidar sua carreira artística. Logo percebi que ela se encaixava nos meus planos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Então, havia planos anteriores?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Havia, mas não especificamente para Catalina. Naquele momento eu concluía os estudos de uma nova técnica em cirurgia facial, algo realmente espantoso. Precisava encontrar um paciente que se dispusesse a ser minha cobaia — ainda que eu não tratasse as coisas nesses termos. Depois, claro, surgiu o sentimento de obrigação para com aquela moça. Como disse, reconheci minha juventude nela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Em que momento Catalina Branco soube de seus planos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Por completo, apenas após as intervenções cirúrgicas. No consultório apenas disse-lhe que podia transformá-la em uma estrela, que havia algo belo a ser desenhado nela, em sua carreira artística.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— E qual foi a reação dela?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Ela se entregou a mim. Disse que eu podia fazer dela o que desejasse, que daria um jeito para me pagar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— E quanto o senhor cobrou pelas cirurgias?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Não envolvi dinheiro nisso. Apenas paixão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Pausa).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— O senhor foi movido por uma paixão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Tenho a plena certeza que sim. Somos movidos por paixões a todo instante. Paixões, vaidade, luxúria. Naquele momento me senti o próprio Deus, podendo criar de acordo com meus caprichos mais secretos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Quanto tempo levou para concluir o novo rosto de Catalina Branco? Como foram os procedimentos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Comecei com uma pesquisa densa. Selecionei fotos e vídeos das grandes divas do cinema e do teatro e desenhei um rosto que fosse completamente único, que se afastasse de todos os padrões. Queria criar uma estrela inesquecível e incomparável. Dali a duas semanas, reuni todos os meus estudos, alguns membros de minha equipe e, levando Catalina, viajei para os Estados Unidos. Os detalhes dos procedimentos vão morrer comigo. Fiz praticamente tudo sozinho na sala cirúrgica. Foi um momento glorioso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Por que as cirurgias foram realizadas nos Estados Unidos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Primeiro porque minha clínica nos Estados Unidos contava com todos os aparatos médicos necessários para as intervenções que planejei. E segundo porque era preciso "matar" Leila dos Santos e fazer nascer Catalina Branco. Assim, viajar para longe do Brasil foi a saída mais sensata. Nós podíamos criar qualquer história para ela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— No que consistiu essa "morte" de Leila dos Santos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Na mudança de todos os documentos da atriz, de Leila para Catalina, na construção de sua nova aparência física e na tomada de aulas de comportamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Aulas de comportamento?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Sim. Três meses após as intervenções cirúrgicas, já tendo minha equipe retornado ao Brasil, ficamos Catalina e eu nos Estados Unidos, em minha casa em Nova York para estas aulas. Contactei a professora de artes cênicas Virginia Smithson, uma amiga de meus pais, e pedi a ela que ensinasse Catalina Branco a se comportar como uma verdadeira estrela. Eu desejava que Catalina tivesse completo domínio sobre seu corpo, seus gestos e sua fala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Pausa).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— O senhor acredita que se Catalina Branco não tivesse algum talento inato, poderia ela ter se tornado uma artista tão grandiosa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Acredito que a beleza determine quase tudo em nossas vidas. Com Catalina não foi diferente. Com a nova aparência, aos poucos ela percebeu que tinha algo de divino em si, que podia expor seus sentimentos mais profundos. Ela sempre foi uma atriz completa, apenas não enxergava isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— O que verdadeiramente Catalina significava para o senhor?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Muita coisa. Eu podia ter parado assim que as mudanças em sua aparência tivessem sido finalizadas, mas era preciso transformar também seu comportamento, seus gestos, sua fala. Tinha me afeiçoado imensamente a ela e queria vê-la feliz. Sentia que lhe faltava uma generosa dose de amor próprio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Pode-se dizer que sua paixão pela atriz se transformou em algo maior?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Sim. No começo eu nutria por ela um tênue sentimento paterno que aos poucos foi se convertendo no amor em sua forma mais potente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— E em que momento o amor passou a ser rancor?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Em momento algum. Catalina Branco só recebeu de mim amor sincero e proteção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Mas, o senhor a matou, de que forma acredita encaixar amor e proteção em seu crime?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Matando-a, eu a protegi do mundo. Retirei-a do estrelato no auge. Quantas estrelas têm essa chance? Talvez ela pudesse fazer mais dois ou três grandiosos filmes — talvez muitos mais —, comover multidões com sua face divina, isso eu não posso negar, mas foi preciso terminar o começado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— O senhor poderia ter deixado a verdadeira história de Catalina Branco oculta, evitando ofuscar parte de seu brilho. Por que resolveu compartilhar com os veículos de imprensa de todo o mundo os segredos de sua mais singular paciente?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— A morte de Catalina não saiu conforme meus planos. Fui fraco, pensei em desistir diversas vezes. Ela me suplicava com os olhos verdes que tinha, a boca delicadamente cerrada em um quase-sorriso. Parecia querer viver, parecia querer me amar novamente. Mas eu já não sabia diferenciar as verdadeiras emoções dela de sua elaborada arte de atuar. Em parte matei-a por ciúmes, confesso, mas como lhe disse, fiz tudo o que fiz por amá-la demais e por querer protegê-la. Compartilhar com o mundo sua verdadeira história foi a forma que encontrei de lhe conceder a liberdade. Ela que tinha se tornado uma escrava da perfeição, uma escrava de si mesma. Vista sem as máscaras Catalina Branco conquistou seu posto definitivo na constelação da fama, porque mesmo as mais nobres almas erram e mentem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Pausa).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Doutor Mourão, agradeço gentilmente sua boa-vontade e paciência. Nossa entrevista termina aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;— Foi um prazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-5805531316207254511?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/5805531316207254511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=5805531316207254511&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5805531316207254511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5805531316207254511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/05/quem-foi-afinal-catalina-branco.html' title='Quem foi, afinal, Catalina Branco?'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1630295717440078618</id><published>2011-04-21T20:33:00.010-03:00</published><updated>2011-07-19T17:38:49.195-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Azdro e a mariposa'/><title type='text'>Azdro e a mariposa: Coração Eterno</title><content type='html'>Lacrado no interior do palácio de Rubília encontra-se o Coração Eterno, um tesouro cobiçado por homens de honra duvidosa, sedentos pelo poder e assombrados pelos mistérios da vida. Trata-se de um recipiente esculpido pela natureza em puríssimo ouro cujas dimensões se aproximam as de um punho cerrado e que proporciona a quem do líquido que dele verte beber, conhecimento ilimitado e o prolongamento da vida. Fica à vista dos súditos apenas em ocasiões raras, nas sucessões dinásticas da coroa e em honra às batalhas bem-sucedidas, protegido pelos mais leais cavaleiros do rei. É de conhecimento geral que a história da relíquia se confunde com a própria fundação de Rubília. De uma gota do precioso e infindável líquido cristalino contido no recipiente teria brotado a floresta densa que circunda o reino. Sem o Coração Eterno, observou-se quando certa feita a relíquia fora roubada, Rubília parece perder parte de sua força, tornando-se de algum modo vulnerável a investidas inimigas e a maldições de toda espécie. Por essa razão, a segurança do tesouro é tomada como assunto de extrema importância e seu empreendimento, não raro, provoca conspirações e golpes contra o reino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1630295717440078618?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1630295717440078618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1630295717440078618&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1630295717440078618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1630295717440078618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/04/azdro-e-mariposa-coracao-eterno.html' title='Azdro e a mariposa: Coração Eterno'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-912705143425147307</id><published>2011-04-12T23:08:00.000-03:00</published><updated>2011-05-02T21:23:36.056-03:00</updated><title type='text'>Mulheres de ébano</title><content type='html'>Sapatos Louboutin. Meias Missoni. Lingerie Victoria's Secret. Vestido Givenchy. Bolsa Hermès. Brincos Swarovski. Unhas Chanel. Maquiagem Mac. Óculos Gucci. A mulher de ébano valia milhões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-912705143425147307?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/912705143425147307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=912705143425147307&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/912705143425147307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/912705143425147307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/04/mulheres-de-ebano.html' title='Mulheres de ébano'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-7542715966798849270</id><published>2011-03-13T16:57:00.006-03:00</published><updated>2011-03-29T13:20:42.086-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos'/><title type='text'>O Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos: Guilhermina Morgado</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;O menino Guilherme Morgado, perto de completar os dez anos, foi surpreendido por um sonho incomum e, de algum modo, assustador. Viu-se perdido em meio a um ambiente infinito, claro e perturbadoramente silencioso, onde havia milhões e milhões de livros colocados no ar, como que repousados sobre estantes invisíveis. Passeando por entre os corredores largos e infindáveis daquela biblioteca, o menino observou que as lombadas dos livros eram de cores diversas, com inscrições em incontáveis línguas e caracteres. Guilherme folheou alguns deles e passou os olhos procurando algo que lhe pudesse fazer entender do que se tratava aquele lugar insólito. Os livros eram espécies de manuais contendo fórmulas estranhíssimas a respeito da vida de pessoas. Nas primeiras páginas aparecia a data de nascimento, acompanhada da hora e do local, bem como o nome dos pais, dos irmãos — quando havia irmãos — e um breve resumo da vida e da morte destas pessoas. Ocupado em resolver o mistério sobre aqueles livros, Guilherme foi surpreendido por uma mulher albina de voz aveludada. "Este é um lugar conhecido como Ânima, Guilhermina. Não tenha medo." — disse ela. Guilherme sentiu-se desconfortável com o equívoco da mulher em chamá-lo Guilhermina, mas não ousou corrigi-la. Estava muito assustado para tomar qualquer atitude. "Aqui são escritas as vidas de todos os seres vivos de todos os universos e planetas. Não é preciso temer, porque este é um lugar pacífico e seguro. Vivem neste ambiente as almas ainda não nascidas, encarregadas de traçar a vida dos que nascem." O menino quase não ouvia o que a mulher dizia, seu coração batia fortíssimo. "Ao longo das Eras nós criamos e narramos vidas felizes e gloriosas, mas também cometemos diversos equívocos grosseiros, causando dor e sofrimento. Erramos muito mais do que acertamos, ainda que nosso desejo seja apenas escrever histórias bem sucedidas. Afortunadamente, de tempos em tempos, é-nos dada a chance de corrigir algumas vidas escritas de maneira rudimentar. Por essa razão hoje você está aqui: para ter sua vida corrigida. Isso se você o desejar, é claro." — disse a mulher respeitosamente. O menino sentiu uma pontada gelada no estômago, mas dessa vez sentiu-se obrigado a falar: "O que me acontecerá se negar esta proposta? Como será minha vida se deixada como está?" A mulher ficara visivelmente contrariada. "Nós não podemos revelar o futuro, Guilhermina, mas como somos imperfeitos, sentimo-nos na obrigação de tentar corrigir nossos erros. Tenho de lhe ser sincera dizendo que sua vida será plena em sofrimento." — falando isso a mulher levantou a mão direita e atraiu um livro localizado a aproximadamente cem metros dali. "Veja aqui: este é o livro de sua vida, está escrito Guilherme onde deveria estar escrito Guilhermina. Você sabe do que estou falando. Existiu em algum momento de sua vida algum Guilherme aqui dentro?" — apontou para a cabeça da criança. "Não." — disse ele sem qualquer dificuldade. "É exatamente neste ponto que quero chegar: nós escrevemos sua vida incorretamente. Você nasceu presa a um corpo que não condiz com sua mente e alma. Se aceitar nossa proposta, poderemos corrigir este grandioso equívoco e você tornará a nascer, no mesmo dia, no mesmo local, provinda dos mesmos pais, apenas em seu gênero correto. Mas é preciso que aceite nossa ajuda." Guilherme sabia perfeitamente do que a mulher estava falando. Sentiu-se tão feliz em perceber que sua dor não era imaginária, que havia algum erro, algum estranho equívoco em sua vida, mas não conseguiu eliminar a figura opressora de seu pai do pensamento. Ele sempre fizera o filho acreditar que sua postura feminina, seu modo de pensar que não combinava com o dos outros meninos, seus gestos delicados, sua voz adocicada, tudo isso era um desleixo dele, do menino, quanto à sua natureza masculina. Que ele devia apanhar e ser duramente castigado para escolher apenas as coisas certas. Teria o pai razão? A posição da mulher albina era indubitavelmente mais sensata e compreensiva. Ainda assim, assombrado o menino correu em direção ao nada, tentando fugir daquele lugar, os olhos molhados e vermelhos. Correu violentamente, negando tudo à sua volta. Acordou afogando-se em lágrimas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;Nota: Guilhermina Morgado foi espancada inúmeras vezes pelo pai. Numa violenta investida foi empurrada através de uma janela no segundo andar de sua casa e ficou presa a uma cadeira de rodas. Seu impressionante caso foi publicado nO Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos, edição de 1995, mesmo ano em que começou a tratar sua disforia de gênero.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="color: rgb(102, 102, 102);   line-height: 20px; font-family:Trebuchet, 'Trebuchet MS', Arial, sans-serif;font-size:13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-7542715966798849270?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/7542715966798849270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=7542715966798849270&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/7542715966798849270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/7542715966798849270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/03/o-fantastico-almanaque-de-sonhos.html' title='O Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos: Guilhermina Morgado'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-2177682473738789634</id><published>2011-02-27T15:02:00.006-03:00</published><updated>2011-02-27T15:47:07.511-03:00</updated><title type='text'>Superfície espelhada</title><content type='html'>Sálvio era um homem como outros tantos. Não sabia o que era compaixão, respeito, paciência. Era assim porque tinha apenas preocupações consigo próprio, preocupações de certo modo justificáveis. Na infância tivera passado por todo tipo de sofrimento e aprendera que as pessoas mereciam apenas indiferença e nojo. Assim, diariamente, beijava as mãos de todos à volta, lançava perfumados cumprimentos e alisava os egos sem medo de parecer ridículo. Por dentro, trucidava sem piedade, imaginando mortes regadas a lamentos intermináveis. Sálvio era simples, um sujeito delicado. Era um homem como outros tantos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-2177682473738789634?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/2177682473738789634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=2177682473738789634&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2177682473738789634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2177682473738789634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/02/pensamentos-condenaveis.html' title='Superfície espelhada'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-354287174906154954</id><published>2011-02-09T00:40:00.007-02:00</published><updated>2011-03-13T18:57:06.240-03:00</updated><title type='text'>O homem e o menino</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;O homem caminhava mancando. Não conseguia entender de onde tinha saído, para onde estava indo; estava completamente atordoado. Pensou em coisas diversas, como estar sofrendo de amnésia ou estar sonhando, mas nada parecia se encaixar. Tentou em vão olhar à volta, em busca de alguma imagem familiar, olhou para cima e descaiu-se sobre o próprio corpo. Aquele lugar escuro, parecido com um quarto de velharias, um porão, nunca tivera sido visto por ele antes. Pensou novamente em amnésia e depois tornou a considerar estar em um sonho. Resolver beliscar-se para garantir que estava bem acordado. Levou a mão direita até o braço esquerdo e beliscou. Beliscou, mas não sentiu nada. Olhou assombrado para o braço. Era madeira. As pernas, os joelhos, os dedos das mãos e dos pés: madeira pura. De repente tudo fez sentido na mente daquele velho homem esquecido. "Sou um menino de verdade." — disse ele com a voz oca própria de um ser de madeira, e seu nariz cresceu desdenhosamente. Trancafiado naquele quartinho de coisas esquecidas, o homem-menino lembrou-se dos tempos felizes, das aventuras vividas com as crianças da casa e entendeu que era hora de deixar de existir. O livro de onde tivera saído foi tomado por chamas avermelhadas e consumiu-se em pouco tempo. A capa de couro que trazia gravada na parte superior, em letras douradas, o nome Carlo Collodi e logo abaixo a figura de um menino de verdade abraçando um homem idoso que devia ser seu pai, era agora apenas um punhado de cinzas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-354287174906154954?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/354287174906154954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=354287174906154954&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/354287174906154954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/354287174906154954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/02/o-menino-e-o-homem.html' title='O homem e o menino'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-8213203312877204773</id><published>2011-01-31T23:24:00.006-02:00</published><updated>2011-02-26T10:24:47.977-03:00</updated><title type='text'>Arrependimentos que matam</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Quando percebi, minha boca já havia dito as coisas tão parvas de que me arrependo profundamente. Mistura de equívoco com ciúmes e necessidade de atenção. Uma mescla de sentimentos asquerosos próprios de gente ingênua e movida a ventanias raivosas, que ainda não cresceu por inteiro, que procura uma escada para espiar do outro lado do muro, que detesta ser o número dois ou o três. Envenenado por algo como uma bílis, amarga, e não influenciado pelas vozes que vêm da alma, bradei. E, assim, o diamante trincou. O diamante: a pedra valente, coesa, puríssima, que representava a estima que me tinham. Trincou como poucas coisas trincam. Permaneceu íntegra em sua beleza, divina, altiva, mas rasgada por uma cicatriz inegável que jamais se apagará. Perdões podem ser pedidos, perfumes podem ser derramados, flores podem ser lançadas, joelhos podem ser dobrados, olhos podem ficar úmidos, mas o quebrado estará quebrado para sempre. Nada mais se pode fazer, porque tudo ficou escondido em palavras ditas-não-ditas e em indiretas nebulosas. No último andar tudo parece mais claro. Os erros que cometi e que destruíram, em proporções jamais calculadas com a exatidão necessária, a vida de diversas pessoas, dançam vivamente entre os minúsculos caminhantes da rua. A posição em que me encontro é superior apenas para me castigar com a melhor visão da destruição ocasionada pelas maldições que roguei; não representa qualquer mérito. Últimos andares, percebo, são propícios para recomeços, para mergulhos certeiros e revigorantes. Mergulhos que amenizariam algumas cicatrizes e que esmaeceriam algumas outras.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-8213203312877204773?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/8213203312877204773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=8213203312877204773&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8213203312877204773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8213203312877204773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/01/arrependimentos-que-matam.html' title='Arrependimentos que matam'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-7892148490839708570</id><published>2011-01-24T11:51:00.015-02:00</published><updated>2011-02-24T21:19:18.822-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos'/><title type='text'>O Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos: Liana Cortês</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;O avião prateado pousou em questão de minutos. Uma aterrissagem calma e silenciosa. No interior do veículo alado, apenas uma passageira: a senhora Liana Cortês que graças a uma piada do destino vestia uma blusa tão prateada quanto a superfície do avião e que fazia lembrar uma espalhafatosa vestimenta de Carnaval. Ela e o avião, prateados como duas travessas de aço inoxidável, compunham uma sintonia tão incomum que faziam todas as coisas à volta parecerem menos importantes. O cenário daquele pouso, por exemplo, era algo genérico, indefinível. Liana não sabia para onde o avião a havia levado, mas algo lhe dizia que ali viveria momentos misteriosos. Olhou no relógio de pulso: eram catorze e vinte. E o estranhamento se iniciou. Por todos os lados as árvores pareciam se mover. Percebeu que os prédios e automóveis do local também pareciam se mover. Tudo parecia se mover, de fato. E se moviam. As coisas começaram a passar pela mulher deslocando-se modestamente, mas logo ganharam uma velocidade espantosa. Liana se deu conta de que estava viajando pela Terra sem levantar um único dedo. Fechou um pouco os olhos e distinguiu entre os borrões que passavam velozes à sua volta, a Estátua da Liberdade, o Coliseu, a Torre Eiffel, a Muralha da China e tantos outros monumentos que só antes havia visto pela televisão ou impressos nas páginas dos jornais e das revistas. De repente tudo começou a parar; árvores, prédios, automóveis, pessoas. Liana Cortês estava retornando ao ponto de partida. O avião prateado começava a se aproximar e ela sentiu um formigamento estranho no braço direito. A dor era intensa e seus olhos não puderam mirar em outra direção. Viu uma tatuagem recente, um globo terrestre em representação detalhada do tamanho de uma maçã média. Súbito, um ruído estranho ecoou pelos ares e ela acordou. Era o despertador. No visor do relógio a marcação das quinze horas. No braço direito a intrigante tatuagem ainda ardendo em todos os seus detalhes e cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: o impressionante caso de Liana Cortês foi publicado nO Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos, edição de 1989.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-7892148490839708570?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/7892148490839708570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=7892148490839708570&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/7892148490839708570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/7892148490839708570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/01/almanaque-dos-sonhos-estranhos-liana.html' title='O Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos: Liana Cortês'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-4584368032323387259</id><published>2011-01-22T02:45:00.002-02:00</published><updated>2011-02-01T00:16:02.349-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos'/><title type='text'>O Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos: Pequeno histórico</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;O Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos foi publicado pela primeira vez no ano de 1957 pelo editor português José Manuel de Albuquerque, fascinado pelas intrigantes situações oníricas contadas por amigos e familiares. A princípio, alvo de grande ceticismo, a publicação que sempre se afirmou autêntica passou a contar, em 1963, com a certificação da equipe multidisciplinar de cientistas da Universidade dos Rios, que mais do que atestar a veracidade dos casos publicados no almanaque fez aumentar suas vendas em mais de trezentos por cento. Compostas por doze casos que acompanham cada um dos meses do ano, as edição dO Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos ainda são publicadas pela família Albuquerque, mas não demonstram o mesmo vigor de seus tempos áureos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-4584368032323387259?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/4584368032323387259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=4584368032323387259&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4584368032323387259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4584368032323387259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/01/o-fantastico-almanaque-de-sonhos.html' title='O Fantástico Almanaque de Sonhos Estranhos: Pequeno histórico'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3149226054032074191</id><published>2011-01-18T19:17:00.010-02:00</published><updated>2011-01-19T23:48:05.855-02:00</updated><title type='text'>Grand plié</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;O corpo da artista desenhava movimentos sublimes no palco, acompanhados pela luz ora azulada, ora acinzentada que emanava suavemente dos holofotes no alto do teatro. A iluminação era quase nula, mas pulsava calmamente entre o claro e o escuro, fazendo lembrar ondas embaladas pelo vento em uma praia esquecida. Na condição de espectador, José Felipe, no alto de seus incompletos dezesseis anos e enamorado pela figura da tia em trajes de balé, apreciava a magia envolta em sua primeira noite no teatro. Os olhos do menino procuravam absorver toda a riqueza do cenário e da artista que naquele momento executava passos perfeitamente belos. Ninguém poderia crer que um jovem como ele viesse algum dia a se interessar pelo espetáculo da dança, pelo balé, e agora estava muito bem acomodado na segunda fileira do Teatro Antônio Peres a prestigiar sua tia, revelando uma faceta escondida, um lado inexplorado. José Felipe amava a tia secretamente, com fascínio e dedicação, com ternura, com respeitosa admiração. O amor que acalentava era doce e verdadeiro como o amor de amantes shakespearianos, era acetinado como um beijo de despedida, suave como a pele de um querubim. Era um amor esplêndido e pleno, sim, mas que não ardia como qualquer outro amor. Era o amor de um menino modesto em sua inveja branca, de um menino contido em gestos e falas estudadas, que sonhava ser exatamente o que não lhe era permitido.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3149226054032074191?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3149226054032074191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3149226054032074191&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3149226054032074191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3149226054032074191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/01/grand-plie.html' title='Grand plié'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-8662037130582170670</id><published>2011-01-07T13:26:00.004-02:00</published><updated>2011-01-13T17:49:58.561-02:00</updated><title type='text'>A arte de receber convidados</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;A sala estava repleta de convidados ilustres: diretores de cinema retrógrados, escritores grosseiros, atrizes enrugadas e cavalheiros e damas que nunca sujaram as mãozinhas trabalhando. Marcantônio levantou calmamente, colocou a cadeira para junto da mesa e com delicadeza disse: "Queiram todos, por gentileza, dirigir-se afavelmente para o mais profundo e asqueroso covil dos Infernos."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-8662037130582170670?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/8662037130582170670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=8662037130582170670&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8662037130582170670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8662037130582170670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/01/arte-de-receber-convidados.html' title='A arte de receber convidados'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3325304006884826356</id><published>2011-01-06T16:56:00.008-02:00</published><updated>2011-01-06T17:14:05.697-02:00</updated><title type='text'>Pequenos ganhos</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;Daniel Lopes, alto executivo de uma multinacional espanhola, nutria por uma moça desconhecida, que passava todos os dias diante do apartamento em que viviam ele, o irmão e a tia, uma paixão silenciosa. Aproveitava o horário das sete horas da noite, quando regressava do trabalho, para tomar um banho rápido, perfumar-se e vestir-se confortavelmente para apreciar sua amada sem a presença dos familiares, que costumavam chegar às oito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era pontualmente às sete e meia que a adorada mocinha passava em frente ao prédio e à sacada de Daniel, apressada, misteriosa, sobre saltos altíssimos, levando no corpo vestidos deslumbrantes e com os cabelos castanhos e longos soltos sobre os ombros. Passava derramando sua beleza delicada, alheia a tudo e a todos, com a cabeça repleta de pensamentos e as feições tingidas em discreta melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enamorado Daniel, no alto de seus trinta anos, tão seguro que era, viu-se pela primeira vez verdadeira e mortalmente encantado por uma mulher, desarmado, covarde em seu amor adolescente, calado, viciado na prazerosa observação de uma figura feminina sem nome, temente que ao declarar-se para ela fosse rejeitado e, assim, jamais ganhasse seu amor e respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais a coragem faltava, porém, mais forte tornava-se aquela paixão e mais dependente da imagem daquela desconhecida ficava ele. Não sabia ao certo o que tinha lhe causado tamanho arrebatamento, se fora a beleza, o mistério ou a tristeza aparente da moça, mas percebera muito no começo que conforme passava o tempo, a potência de seus sentimentos começava a exigir estímulos maiores e mais rebuscados. Se antes lhe bastava observar a moça discretamente, de maneira quase invisível, escondendo-se entre as cortinas da janela, agora era preciso que ela soubesse de sua existência, que de algum modo lhe desse algum sinal de aprovação ou reprovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que, há alguns meses Daniel armou-se em coragem e colocou-se vistosamente à sacada de seu apartamento e acenou gentilmente para a mulher quando esta passou em frente ao prédio, ofertando a ele, em retribuição, um sorriso modesto, mas angelical. Com aquele sorriso, entendeu que podia seguir em frente, que tinha alguma chance de sucesso com a moça. Satisfeito e confiante, decidiu todos os dias dedicar à amada demonstrações de admiração diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No princípio olhares, sorrisos e acenos pareciam suficientes, mas logo passaram a deixar Daniel insatisfeito. Ele queria mais, precisava de mais. Começou, assim, aparecendo para saudá-la sem camisa, com seu belo tronco à mostra. Sorriu largamente e recebeu um sorriso largo em troca. Depois surgiu de roupão aberto, vestindo apenas a roupa íntima por baixo. A moça fixou o olhar em suas pernas, ele percebeu, o que o deixou envaidecido. No dia seguinte mostrou-lhe as costas largas e bem desenhadas desnudas, marcadas pela tatuagem recém-feita de um coração em chamas. Ela enrubesceu naquele dia, contente, ainda que tivesse achado a tatuagem de certo mau gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embriagado pela emoção de estar sendo correspondido pela mulher que amava, Daniel por vezes viu-se tentado a correr até a portaria de seu prédio e ir de encontro à sua musa, mas sempre hesitou. Enquanto eram dois desconhecidos tudo parecia seguro e envolvente. Não queria estragar a maior e mais bela experiência de sua vida com precipitações tolas. O desejo de se apresentar para a moça, perguntar seu nome e conversar com ela estava em seus planos, era um fato: até as alianças de namoro estavam compradas para oficializar a relação que mantinham. Eram desejos reais, mas não poderiam ser executados de uma hora para outra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3325304006884826356?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3325304006884826356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3325304006884826356&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3325304006884826356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3325304006884826356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/01/pequenos-ganhos.html' title='Pequenos ganhos'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1426727468217171016</id><published>2011-01-04T14:35:00.005-02:00</published><updated>2011-01-19T23:54:34.296-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Parcialmente divinos'/><title type='text'>Parcialmente divinos: Santo nome</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;“Que Deus lance em mim a pior das maldições se o que lhe digo não é a puríssima verdade.” - choramingou a carola Laurinda. “Eu vi - e como vi - a diaba que se casou com o pobre Jorge, aquele que mora ao lado da locadora de filmes, o taxista, beijando na boca um mocinho de no máximo vinte anos. Beijando-o na boca, a diaba, e lhe afagando os cabelos.” - as mãos da mulher ajudavam a dramatizar a narrativa lançando-se aos céus com alguma frequência. “Deus também viu. Deus é testemunha desse fato abominável, padre Sandro.” O religioso, num esforço grandioso, tentava prender a atenção nas palavras de Laurinda, mas flagrava-se ora examinando as costuras da batina, ora admirando as linhas em suas mãos. Pensava em como seria bom se aquela mulher tratasse de cuidar da própria vida ao invés de gastar seu tempo controlando as decisões e ações alheias, em como seria maravilhoso que falasse por ela própria ao invés de colocar palavras na santa boca de Deus. “O Senhor não aprova o adultério, eu bem sei. Adultério é coisa de gente imunda e libidinosa. E sabe, padre, estou certa de que Deus tem o nome daquela diaba anotado na primeira linha de seu caderninho negro, porque nenhum ato maledicente passa impune por Seus olhos justos.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1426727468217171016?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1426727468217171016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1426727468217171016&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1426727468217171016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1426727468217171016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2011/01/parcialmente-divinos-santo-nome.html' title='Parcialmente divinos: Santo nome'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1590130897846350621</id><published>2010-12-30T21:20:00.006-02:00</published><updated>2011-01-04T22:09:24.408-02:00</updated><title type='text'>Hiperglicemia</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;Bibi Romão, a experiente gourmet apresentadora do programa "Doçuras e Loucuras", todas as quartas-feiras brindava o público com receitas de sua própria criação, tão imensamente caras, deliciosas e belas, que eram praticamente impossíveis de ser executadas. "Você, querido espectador, que aí está sentado, glutão que é, a boca cheia de saliva: agora é a sua vez de preparar esta delícia. Tenha coragem, vá em frente! Não é tão simples quanto parece, mas ninguém se importará se o resultado não for espetacular da primeira vez." - dizia a mulher com o mais malicioso dos sorrisos sempre que encerrava sua atuação semanal. Um sorriso malicioso e satisfeitíssimo. Os olhinhos cintilando escandalosamente, como a refletir aqueles dentes alvos e alinhados que tinha. Dentes encimados por maçãs do rosto sempre coradas e macias como pêssego. Estas eram tão suculentas porque Bibi era redonda - mas não exageradamente - de tanto degustar as delícias açucaradas que criava e ensinava na televisão. Uma gorducha que se vestia apenas com o mais fino, o mais chique, o mais caro, tendo o bom senso de escolher o que lhe salientava o belo e lhe suavizava o horrendo, pois ainda que o programa estivesse para ser cancelado - e Romão sabia disso - não havia motivo para trajar-se mal, e tampouco para amolecer seu processo criativo, sempre tão rico e surpreendente. A demissão aproximada, pelo contrário, tinha lhe inspirado na criação de dezenas de novas receitas, deliciosas e complicadíssimas, sim, como tantas outras de sua coleção. Uma delas nada mais era que um bolo úmido, altíssimo, coberto por grossa camada branca, à primeira vista completamente comum. Por baixo daquilo tudo, no entanto, havia oitocentas e quatro finíssimas camadas de recheios variados. Entre eles: geleias, frutas secas, flocos açucarados, flores comestíveis, féculas de tipos vários e pedras preciosas em pó.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1590130897846350621?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1590130897846350621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1590130897846350621&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1590130897846350621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1590130897846350621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/12/hiperglicemia.html' title='Hiperglicemia'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1306651952699574181</id><published>2010-11-14T19:06:00.004-02:00</published><updated>2010-11-24T20:05:04.942-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Parcialmente divinos'/><title type='text'>Parcialmente divinos: A imagem de Deus</title><content type='html'>&lt;span&gt;O velhíssimo Maneco Borba era homem de cara simpática e simplória, cheio de gentilezas e histórias para contar. Morava com os quatro filhos em uma casa muito bem construída no litoral e tinha por hábito ou, como gostava de dizer, por capricho da alma a modelagem de peças de barro representando figuras folclóricas ou santos de tipos vários. As mãos muito habilidosas davam ares delicados e expressivos às suas pequenas obras artesanais, os quais eram reforçados com a pintura que fazia após a queima das peças. Os vizinhos todos sabiam que o velho não sustentava louvores religiosos e tampouco mantinha crenças sobre qualquer tipo de figura mítica, mas deixava-se embrenhar na criativa e prazerosa atividade de modelar faces e gestos de Sacis, Curupiras, Santos Antônios e Nossas Senhoras pela alegria pura que aquele hobby lhe trazia e pelo bom dinheiro que a venda de seus pequenos seres lhe proporcionava. Entretanto, ainda que simpatizasse ao máximo pela atividade de artesão, Maneco era, por essência, um pescador de pequeno porte, com seu barco antigo e com sua rede imensa e brilhante. Pescar era sua fonte de renda principal; modelar em barro era nada mais que um complemento delicioso e lucrativo. Isso há algum tempo. Foi pescando que o velho, certa manhã, enxergou a imagem do Criador a balançar sobre a superfície do mar, envolta num fulgor excepcional e embalada pelo perfume do vento. "Prospere, meu bom homem." - foi o que Deus lhe disse. E foi o que o pescador fez. No dia seguinte pôs-se a modelar dezenas de figuras à semelhança do Pai Todo-Poderoso. Vendeu tudo. Fez novas remessas. Vendeu tudo outra vez e recebeu incontáveis encomendas. Dali a três meses tinha feito tanto dinheiro com suas novas esculturas que se converteu ao catolicismo e passou a chamar-se Maneco Borba de Deus, o homem para quem o céu se abriu milagrosamente.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1306651952699574181?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1306651952699574181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1306651952699574181&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1306651952699574181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1306651952699574181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/11/parcialmente-divinos-imagem-de-deus.html' title='Parcialmente divinos: A imagem de Deus'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1915203137319685797</id><published>2010-10-31T17:59:00.005-02:00</published><updated>2010-12-23T23:34:29.265-02:00</updated><title type='text'>Entre planilhas e travesseiros</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;Edgar estava saindo do trabalho às vinte e três horas aquela noite, cansado e com o corpo inteiro reclamando dores indescritíveis. A roupa um tanto enviesada e o nó da gravata praticamente desfeito revelavam um homem pouco preocupado com a aparência e verdadeiramente determinado a cumprir suas obrigações profissionais nos prazos determinados. Conforme o dia ia transcorrendo e os demais funcionários iam encerrando suas horas de trabalho e regressando às suas casas, ele começava a abrir os botões das mangas da camisa, a afrouxar a gravata e a tirar os sapatos para poder suportar as horas extras que lhe cairiam sobre as costas. Não era nenhum funcionário de alto escalão, que tivesse de ficar resolvendo assuntos urgentes após o expediente e tampouco um recém-contratado, que precisasse fazer valer sua oportunidade de emprego a todo custo. Era pura e simplesmente um homem obcecado pelo trabalho, que detestava ter de deixar coisas inacabadas para trás e que sofria com aquilo. Quando girava a chave do carro, por exemplo, pensando que havia uma ou duas planilhas para finalizar, além de sentir-se incompetente por não ter conseguido finalizar todas as tarefas da semana - e quiçá do mês - desejava largar tudo e voltar a trabalhar. Mas aquela noite parecia diferente. Com tantas dores lhe assombrando, deveria dedicar-se apenas ao descanso, ao sono mais tenro e merecido. Ao chegar à casa, os olhos fechando-se por conta própria, dirigiu-se ao quarto aos tropeções, deixou-se cair sobre a cama e dormiu como não o fazia há muito tempo. Dormiu merecidamente, profunda e verdadeiramente. Dormiu seus anseios, suas preocupações e seus dissabores. Dormiu como um querubim, como uma folha no outono que cai sobre a relva preguiçosamente. Dormiu tão deliciosamente que amanheceu revigorado, bem-humorado e cinco anos mais jovem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1915203137319685797?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1915203137319685797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1915203137319685797&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1915203137319685797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1915203137319685797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/10/limites.html' title='Entre planilhas e travesseiros'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3277588705758907468</id><published>2010-10-30T14:02:00.000-02:00</published><updated>2010-11-14T20:03:24.898-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Parcialmente divinos'/><title type='text'>Parcialmente divinos: Os deuses de Dora</title><content type='html'>&lt;span&gt;Dora saudava seu Deus todos os domingos de manhã, nas enfadonhas missas do padre Otávio. Fazia-o com algum desleixo, com uma preguiça disfarçada, banhada em decência e respeito. Enrolava-se nos lençóis com a vontade extrema de voltar a dormir quando o despertador anunciava o compromisso religioso todas as semanas e logo tratava de abraçar seu travesseiro com força, sentando-se na cama com o temor de voltar a adormecer. A avó de Dora era quem a acompanhava todas as vezes, sempre pontualíssima e mal-humorada, criticando ora suas pernas muito expostas, ora o decote que costumava ostentar, muito vistoso. "Tenha a certeza de que Deus chora quando a vê assim, minha filha, com o que não deve ser mostrado de fora." - dizia a velha com a boca franzida que tinha, sempre da mesma forma: falando sem olhar nos olhos da neta, com os lábios sequíssimos de raiva, a face rubra como a do Demônio. E todos os domingos a cena se repetia, embora as coisas tivessem mudado desde a semana passada, quando um caminhão frigorífico atropelara a velha avó de Dora, fazendo-a cair morta próximo à igreja com seu vestido listrado levantado até o queixo, revelando sua tão preservada intimidade. Foi quando a neta passou a apreciar imensamente as manhãs de domingo, podendo adorar outros deuses, como Fabiano, o filho do açougueiro e baterista da banda da igreja, Vladmir, o rapaz que dava os recados finais nas missas e Tadeu, o irmão mais novo do padre Otávio. Verdade era que nenhum daqueles deuses tinha em si qualquer santidade, mas era justamente a humanidade, a malícia e a beleza daqueles homens que provocava tanto louvor na moça.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3277588705758907468?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3277588705758907468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3277588705758907468&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3277588705758907468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3277588705758907468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/10/parcialmente-divinos-os-deuses-de-dora.html' title='Parcialmente divinos: Os deuses de Dora'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-6837647724187428378</id><published>2010-08-25T21:27:00.010-03:00</published><updated>2010-08-26T09:29:29.663-03:00</updated><title type='text'>Azul virginal</title><content type='html'>&lt;span&gt;Tinha sido uma vontade do vento que a mulher se vestisse no azul mais virginal e mais imaculado já visto. Aquele tecido finíssimo, entremeado por fios de ouro puro, tão delicado, tão verdadeiramente belo havia sido carregado pela brisa atrevida da manhã e na mulher repousado como uma lágrima que se deita sobre um lenço de algodão. Como uma lágrima era como a mulher se sentia: frágil, volúvel, efêmera até ser visitada e presenteada pelo vento. Acreditou que a veste repleta de mistérios poderia lhe oferecer alguma força inexplicável e a aceitou de bom grado. Tinha sido coberta por aquele azul pueril jamais visto e sentia-se uma mulher proba e pura, como se a carapuça tivesse sido feita para ela. Aceitaria que sua nova condição não mais possibilitaria ousadias e prazeres e que não mais permitiria assumir seus desejos e sonhos. Aceitaria muitas coisas passivamente. A costura a que se via presa, áurea, sofisticada, ainda que divinal, era opressora, destruidora e, mesmo que firmasse a posição dos ossos e músculos de seu tronco numa postura quase angelical, impedia que até o mais discreto suspiro fosse esboçado.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-6837647724187428378?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/6837647724187428378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=6837647724187428378&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6837647724187428378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6837647724187428378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/08/azul-virginal.html' title='Azul virginal'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-6122644383485877997</id><published>2010-08-02T21:31:00.002-03:00</published><updated>2010-08-25T21:27:25.606-03:00</updated><title type='text'>Em termos</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Nos minutos finais do capítulo setenta e seis da novela televisiva "O acordo", o personagem Alexandre revelou ao pai e aos irmãos que era homossexual. Com os olhos cheios de lágrimas e com a voz embargada disse tudo aquilo que havia ficado escondido com ele desde sempre. Falou com esforço e sofrimento, temeroso das consequências que a verdade poderia fazer aflorar em sua vida. Entregou-se receoso aos seus medos e expos sua intimidade certo de estar abdicando de coisas grandiosas. O que antes era apenas uma suspeita familiar, naquele instante tornava-se solidamente inquestionável e ele precisava enfrentar sua nova condição. Os personagens olhavam-se mutuamente, arrebatados pela tensão do momento enquanto os créditos de encerramento começavam a surgir. A trilha sonora era nada mais que o silêncio. Do outro lado da televisão, milhares e milhares de espectadores, também surpreendidos com a revelação, solidarizavam-se com o sofrimento do personagem e desejavam que a família o aceitasse, porque era um rapaz bom e decente. Na trama, Alexandre era um rapaz jovem e bonito que se escondia sob a timidez, cheio de mistérios e traumas, mas que se esforçava para agradar a todos. O público se identificava com o personagem, porque segundo os autores, representava o típico herói folhetinesco cujo sofrimento de vida se desdobrava em honradez e benevolência. Naquele dia o bem-estar de Alexandre, o personagem da novela das oito, foi considerado mais importante que sua orientação sexual e aquilo foi uma glória festejada na emissora. Mas, ao cabo de um mês a trama apresentou Teodoro, um arquiteto a quem Alexandre havia conhecido por acaso em uma livraria, e a opinião dos espectadores se transformou completamente. Isso porque neles havia florescido uma paixão sem estereótipos, muito próxima da vida real. “Alexandre era meu personagem favorito e eu torcia por sua felicidade, mas seu romance com esse tal Teodoro me fez mudar de opinião. Isso realmente precisa ser exibido na televisão?”, “Quando Alexandre ou Teodoro entram em cena, mudo de canal. Não quero que meus filhos vejam dois homens se abraçando e se beijando.” – dizia o público nos jornais, nas revistas e nos programas de diversas emissoras, até mesmo na de “O acordo”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-6122644383485877997?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/6122644383485877997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=6122644383485877997&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6122644383485877997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6122644383485877997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/08/em-termos.html' title='Em termos'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1489599524944686658</id><published>2010-06-24T21:04:00.004-03:00</published><updated>2010-06-24T21:58:33.420-03:00</updated><title type='text'>Primo Mauro</title><content type='html'>&lt;span&gt;Hélio Varela, um dos enfermeiros do Hospital Gilberto Moreira Souto odiava seu primo, o doutor Mauro Varela, como se odeia um inimigo mortal. O sentimento de ódio era unilateral e mudo. Mauro, com toda sua ingenuidade de homem honrado e honesto, pensava haver entre ele e o primo a relação familiar mais amistosa de que se tivesse notícia, mas o que acontecia era exatamente o oposto. Hélio mantinha, sim, todas as chatíssimas cerimônias da convivência social: apertava a mão do primo todos os dias, desejava-lhe "bom dia", perguntava se este não queria almoçar com ele, mas tudo aquilo era falso. Mantinha dentro de si um desprezo tão risonho, um desamor tão vívido por toda a elegância, sucesso e dinheiro do primo, que bastava o mínimo contato entre eles para que seu dia se tornasse negro. Odiava, na verdade pura, o fato de Mauro ser belo, benquisto e feliz, tão sorridente e cortês, tão delicado e ainda assim tão másculo, educado como nenhum outro homem. Hélio odiava, também, o destino por ter desenhado caminhos tão distintos para eles que eram quase irmãos. Por esta razão, e por tantas outras que somente os caprichos do coração podem revelar, todos os dias retornava para casa amargurado, contando os minutos para se trancafiar no quarto e chorar até adormecer levado pela mais completa exaustão física e psicológica.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1489599524944686658?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1489599524944686658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1489599524944686658&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1489599524944686658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1489599524944686658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/06/mauro.html' title='Primo Mauro'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-534186280072781247</id><published>2010-05-16T21:38:00.007-03:00</published><updated>2010-08-08T19:49:32.711-03:00</updated><title type='text'>Amores que duram</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;A luz da saleta era tênue. O ambiente estava banhado num amarelado estranhíssimo. Não demorou muito até a mulher esguia surgir pela porta com os lábios lindos que tinha cobertos num vermelho lascivo. "Eu quero dois milhões." - disse ela pronunciando cada letra com a suavidade comum dos chantagistas. O homem que era alto e consideravelmente forte sentiu-se inútil e reduzido a milímetros, fraco e suscetível como um dente-de-leão. Aquela mulher o havia ludibriado por completo e agora ele dependia de seu silêncio para manter segura sua vida de homem decente. "O seu dinheiro pela minha discrição. É justo." - completou ela. Os dois se olharam por um momento, talvez desejando falar coisas que por muito tempo ficaram caladas, mas nenhuma palavra ousou ser dita. O homem fechou os olhos, tentando evitar o choro e sentiu os lábios sendo beijados. Ele ainda amaria aquela mulher por muito tempo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-534186280072781247?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/534186280072781247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=534186280072781247&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/534186280072781247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/534186280072781247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/05/amores-que-duram.html' title='Amores que duram'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1622114122575817653</id><published>2010-04-11T21:04:00.015-03:00</published><updated>2011-04-21T00:33:36.074-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Azdro e a mariposa'/><title type='text'>Azdro e a mariposa: O rei e a serpente</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Da primeira vez que viajou sobre as costas de Shantara, Azdro tinha dezoito anos. Seu pai, o rei Livardo, tivera sido envenenado por uma serpente dourada e, segundo precisara a mariposa pensante, padeceria em poucos dias. Havia mestres alquimistas e homens de toda sorte, sábios no preparo de antídotos pouco conhecidos e raros no reino de Felpitso, mas este ficava localizado a grande distância de Rubília. O filho primogênito de Livardo, Antonus, em desespero com o terrível estado do pai, apanhou seu cavalo nos estábulos e conclamou que lhe seguissem aqueles que estivessem dispostos a salvar a vida do rei. Guardou consigo uma generosa bolsa com moedas para a paga do antídoto e, num pequeno cesto, depositou alguns mantimentos. Quando o grupo preparava-se para partir, entretanto, o monarca daquele reino pronunciou-se, debilmente, de uma das torres do castelo: "Grandes jornadas não se cumprem em pequenos espaços de tempo. E não parece coerente que diversas vidas sejam postas em risco em nome de uma única. Portanto, ordeno que nenhum esforço sobre-humano seja empreendido na restauração de minhas forças vitais!" - e a expedição foi desfeita. Shantara, que acompanhava o rei, observava a progressão de sua morte e sentia-se inútil. Ela, muito provavelmente, descobriria um antídoto que neutralizasse o veneno presente em seu sangue, mas para tanto necessitaria dias de estudos e experimentações. O príncipe Azdro encontrou-a envolta num sentimento amargo, abatida. "Talvez esteja enganado, nobre amiga, mas li em um de seus estudos que alguns insetos alados podem percorrer longas distâncias em curtos períodos de tempo." - disse ele. "Sim, meu príncipe, você está certo." Azdro, então, perguntou-lhe respeitosamente se ela poderia levá-lo sem o conhecimento do rei até Felpitso. E ela respondeu-lhe positivamente. Com o nascer do sol, os dois regressaram a Rubília portando um pequeno frasco de vidro contendo um líquido. O rei estava salvo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1622114122575817653?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1622114122575817653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1622114122575817653&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1622114122575817653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1622114122575817653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/04/azdro-e-mariposa-gratidao-do-rei.html' title='Azdro e a mariposa: O rei e a serpente'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1246843181455667818</id><published>2010-03-27T17:44:00.006-03:00</published><updated>2010-03-27T18:16:53.483-03:00</updated><title type='text'>O velho que ouvia a chuva</title><content type='html'>&lt;span&gt;O velho olhou pela janela. Chovia tanto e de tal forma que perdeu por completo o interesse no livro. Tinha se flagrado prestando mais atenção no que a tempestade queria lhe dizer do que nas linhas monótonas daquele romance sobre um homem rancoroso que vivia isolado em uma ilha. Fechou o livro marcando a página na qual a leitura tivera sido interrompida e levantou de sua cadeira hipnotizado pela beleza daqueles milhares de gotículas d'água a arremessarem-se, despudoradas, contra o chão. Ouviu suas vozes agudas e molhadas. "Os ventos são de mudanças." - diziam em coro.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1246843181455667818?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1246843181455667818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1246843181455667818&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1246843181455667818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1246843181455667818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/03/o-velho-que-ouvia-chuva.html' title='O velho que ouvia a chuva'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3182425699359006129</id><published>2010-03-22T17:53:00.018-03:00</published><updated>2011-04-21T00:50:31.599-03:00</updated><title type='text'>O pecado dos deuses</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Rolando e Ilana eram mestres na arte de provocar delírios gustativos por meio de bombons finíssimos e de licores de aroma inusitado. Mantinham no primeiro andar da própria casa um pequeno atelier com prateleiras cintilantes repletas de delícias que raramente ficavam por um dia inteiro expostas. Clientes de todas as partes esgotavam com velocidade o que o jovem casal produzia com capricho e sofisticação, e retornavam muitas outras vezes, insaciáveis, procurando novos sabores e perfumes. Receitas antigas, cheias de tradições e encantos tornavam-se ainda mais sedutoras sob o olhar atento de Ilana, que as revitalizava com paixão. Quilos e mais quilos de chocolate, morangos, uvas e laranjas eram transformados em delicadas joias para paladares exigentes nas mãos de Rolando. Assim, mantinham os luxos e as sofisticações do dia-a-dia com seus chocolates maravilhosos. Havia, como se suspeitava, muitos segredos escondidos no preparo daquelas excepcionais tentações açucaradas e era conveniente que nenhum deles fosse revelado. O fato era que Rolando, sob os olhares atentos da esposa, adicionava pequenas frações de veneno em cada um dos bombons e nos licores que preparava a fim de dar a eles um primoroso e sutilíssimo toque mortal. Todo o cuidado era pouco, obviamente. Precisavam instigar o paladar dos clientes sem envenená-los, porque era necessário que estes retornassem e que comprassem mais de suas delícias. E esse, talvez, fosse o maior dos seus segredos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3182425699359006129?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3182425699359006129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3182425699359006129&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3182425699359006129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3182425699359006129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/03/o-pecado-dos-deuses.html' title='O pecado dos deuses'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-745456150200952204</id><published>2010-03-14T14:03:00.006-03:00</published><updated>2010-03-15T20:26:50.653-03:00</updated><title type='text'>Carmim</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Aquela flor de tom intrigante e de pétalas aveludadas que diariamente recebia a luz do sol, resignada e modesta, era um raríssimo - se não único - exemplar de "Rosae sapiens", uma rosa que podia pensar. Que podia pensar, sim, mas da qual ninguém em todo o mundo havia tomado conhecimento, porque não lhe fora dado o dom da fala. Passava dias e dias a equacionar fórmulas a respeito de sua existência solitária e nisso, vez por outra, acabava defrontando-se com os seres humanos, crédulos de sua suposta posição superior na cadeia evolutiva e dos quais ela deveria ser imensamente grata, uma vez que tivera sido gerada num laboratório botânico onde, por nenhuma surpresa, apenas seres humanos trabalhavam. Não podendo expressar seus pensamentos em palavras, a rosa quase sempre era vista como uma experiência meramente estética, como algo que tivera nascido apenas para deleite dos olhos famintos por belezas, o que era um equívoco. De belezas o mundo estava repleto, ela bem sabia, porque do seu pequeno canteiro via tantas outras flores sublimes e delicadas que era impossível pensar no contrário, mas acreditava que devia haver algo maior. As suas irmãs, coitadas, eram todas ignorantes. Não pensavam, apenas prostituíam suas pétalas sanguíneas em nome de prazeres efêmeros. Ela, pelo contrário, era uma incansável questionadora. Queria saber quais eram as verdadeiras belezas da vida e quais seus significados. Dali a cinco dias, porém, ela seria cortada de sua roseira e seria posta no lixo. Ocupada com a busca de verdades essenciais ela tivera esquecido que, como flor, sua função primordial já não se cumpria. Estava murchando e perdendo o viço, silenciosamente tornando-se desbotada. Já não havia qualquer razão para continuar existindo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-745456150200952204?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/745456150200952204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=745456150200952204&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/745456150200952204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/745456150200952204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/03/carmim.html' title='Carmim'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1164281203333611200</id><published>2010-02-28T22:13:00.005-03:00</published><updated>2010-03-14T14:57:06.134-03:00</updated><title type='text'>O suicídio de Maurício Peixoto</title><content type='html'>&lt;span&gt;O gentil, responsável, honesto e digno Maurício Peixoto chegava sempre às dezoito horas ao seu apartamento e ouvia os irmãos Gershwin até a meia-noite. Embora adorasse a música, poucas vezes dedicava-se a degustá-la porque estava demasiadamente ocupado com seus pensamentos. Era um homem atormentado por segredos que escondia da família, da namorada Ellen e de si próprio. Pensava nos seus mistérios pessoais com o receio de que algum dia estes desejassem vir à tona, com a melancolia de quem deve lutar contra algo, mas não pode.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1164281203333611200?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1164281203333611200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1164281203333611200&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1164281203333611200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1164281203333611200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/02/o-suicidio-de-mauricio-peixoto.html' title='O suicídio de Maurício Peixoto'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3045168303112096197</id><published>2010-02-24T16:49:00.029-03:00</published><updated>2010-03-14T15:23:59.227-03:00</updated><title type='text'>Toalha de linho</title><content type='html'>&lt;span&gt;O mordomo Gonçalo, talvez por gosto verdadeiro ou por algum outro motivo desconhecido, passava seus dias a escutar, por trás das portas, as intimidades de seus patrões Elisa e Fernando. Deleitava-se ouvindo daquele casal prepotente os medos, as angústias e as fraquezas escondidas, como se aquilo evocasse nele alguma superioridade. Também costumava colocar seus pensamentos, muitos deles inconvenientes e desgraçados, durante jantares e reuniões, causando certo desconforto nos presentes. "A senhora está se casando pela oitava vez e ainda acredita no amor verdadeiro?" - perguntou certa vez, envolvido num falso ar de inocência, à senhora Cibela Couto, uma das mais idosas amigas de Elisa. Os convidados riam, visivelmente constrangidos, mudavam rapidamente o tom da conversa e, no fim, não tornavam a pisar no casarão. Apesar de tudo, o casal acreditava que a postura por vezes cruel do mordomo não configurava um motivo forte para a demissão, já que o que ele dizia era exatamente o que todos tinham vontade de dizer, mas não tinham a coragem necessária para fazê-lo. Aconteceu, porém, que a certa altura Gonçalo começou a falar também dos seus patrões, expondo-os tão indelicadamente quanto os convidados daqueles jantares pomposos. Foi numa dessas reuniões luxuosas que Fernando perdeu o controle, retirou o empregado à força da sala, trancafiou-o no quarto de hóspedes e lá o deixou até o início da madrugada, quando todos já tinham ido para suas respectivas casas. Aquele fora o primeiro castigo do mordomo. O primeiro e o último. Como o homem sabia coisas e mais coisas a respeito dos senhores daquele casarão, estava certo de que sua situação poderia mudar num estalar de dedos se ele assim quisesse, e foi tomado pela certeza de que tinha os patrões nas mãos que engoliu calado aquele episódio. Assim, continuou ouvindo atrás das portas e desferindo suas maledicências durante os encontros festivos no casarão até ser flagrado num de seus secretos atos deploráveis. Fernando um dia retornou horas mais cedo do trabalho e encontrou Gonçalo encurvado com o ouvido direito colado à porta do quarto do casal. Elisa estava ao telefone, conversando com a mãe e comentando sobre a viagem de alguns amigos. O mordomo ouvia tudo deliciado. "Então é assim que descobre nossas intimidades, vigarista?" - disse o patrão enfurecido. Gonçalo sequer se endireitou, apenas dirigiu o olhar ao homem e disse com delicadeza: "Eu sei que vocês planejam matar aquele sócio italiano." E um aterrador silêncio se fez. Depois daquilo, semanas se passaram e outro jantar acontecia no casarão. O mordomo não era visto em parte alguma e tampouco parecia fazer falta para qualquer um dos presentes, mas alguns insistiam um falso interesse e perguntavam por ele. "Está deitado, indisposto." - diziam Elisa e Fernando, o que era, em parte, a pura verdade. Gonçalo estava onde sempre desejava estar: entre os convidados daquele casal, mas não podia ser visto. "E se algum dos presentes resvalar os pés no vigarista?" - perguntou Elisa discretamente. "Ninguém levantará a toalha da mesa, minha querida." - disse o marido observando o semblante apavorado da esposa. "Ele não queria ouvir nossas conversas e estar sempre metido entre nós? Pois que jaza aí embaixo. E que apodreçam ele e sua boca maldita." - completou maliciosamente.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3045168303112096197?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3045168303112096197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3045168303112096197&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3045168303112096197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3045168303112096197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/02/chantagem.html' title='Toalha de linho'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1452997527491437715</id><published>2010-02-16T12:53:00.011-02:00</published><updated>2010-02-20T14:43:17.318-02:00</updated><title type='text'>Sem grandes finais</title><content type='html'>&lt;span&gt;Cristina, na sua intimidade, sabia-se uma mulher pela metade. Uma pessoa que em raras ocasiões encontrava fôlego para concluir as coisas começadas; alguém de vontades efêmeras e desinteressadas. Apesar disso, aceitava suas desistências cotidianas de bom grado. Colecionava uma série de "inícios sem fins" ou, como dizia, um amontoado de "ações infinitas", que esperavam por seus longínquos respectivos fechamentos. Com sua morte, acreditava, todas as pendências seriam anuladas. Se isso não acontecesse, que ao menos enviassem as cobranças para o endereço errado.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1452997527491437715?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1452997527491437715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1452997527491437715&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1452997527491437715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1452997527491437715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/02/sem-grandes-finais.html' title='Sem grandes finais'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-5232545716197389659</id><published>2010-02-13T16:28:00.006-02:00</published><updated>2010-02-14T22:56:54.527-02:00</updated><title type='text'>Tempo perdido</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;Felício e Malvina, os dois velhotes que moravam no fim da rua, sustentavam uma mentira conjugal que durava mais de quarenta anos. A despeito do amor que demonstravam ter um pelo outro, odiavam-se mortalmente. Neles residia um rancor tão monumental, tão hediondo que, por sua natureza dissimulada, passava despercebido à vista alheia. Os vizinhos, parentes e conhecidos não sabiam que no interior dos dois velhos escondia-se sentimento de desamor e impaciência tão potente. E tampouco imaginavam que todas aquelas desgraçadas bodas festejadas em noites intermináveis e regadas a comidas e bebidas de todo tipo nada mais eram que um requisito social cumprido à risca. Os familiares esperavam todos os anos pela festa em comemoração às bodas e era isso que o casal ofertava. Posava para fotos, beijava-se como se aquele fosse o último dos dias e acenava sorridente, mas nada daquilo era verdadeiro. Bastava que os convidados fossem embora para que os noivos voltassem a se olhar sem qualquer interesse. Por mais estranho que parecesse, Felício não imaginava que no interior de Malvina se escondia qualquer sentimento de desamor ou impaciência e Malvina pensava o mesmo do marido. Odiavam-se silenciosa e devotadamente, cegos ao que se punha diante de seus olhos diariamente. Carregavam, ambos, as dores da infelicidade, mas não desejavam desfazer o casamento por medo do que seria comentado pelos outros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-5232545716197389659?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/5232545716197389659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=5232545716197389659&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5232545716197389659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5232545716197389659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/02/tempo-perdido.html' title='Tempo perdido'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-4164500063717699440</id><published>2010-01-27T12:32:00.002-02:00</published><updated>2010-01-27T12:48:49.419-02:00</updated><title type='text'>Sete anos e dois meses</title><content type='html'>&lt;span&gt;Abílio Ferreira, um dos idosos internados na casa de repouso Nossa Senhora das Flores, certa noite recebeu a visita de uma figura maravilhosamente bela e celestial, iluminada por uma luz azulada tão serena quanto uma brisa de primavera. Inebriado por aquele evento lindíssimo, ele pediu à mulher de luz - talvez a própria Nossa Senhora das Flores - para retornar à infância. Num instante, então, tudo ficou ainda mais iluminado e o velho Abílio despertou do sonho.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-4164500063717699440?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/4164500063717699440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=4164500063717699440&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4164500063717699440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4164500063717699440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/01/sete-anos-e-dois-meses.html' title='Sete anos e dois meses'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1402216065306982423</id><published>2010-01-26T11:55:00.002-02:00</published><updated>2010-01-27T12:52:31.765-02:00</updated><title type='text'>Espinhos</title><content type='html'>&lt;span&gt;A velha achava delicioso espezinhar os outros, julgando tudo e a todos. Se a filha voltasse para casa dez minutos mais tarde que de costume, logo ela dizia que era porque estava na rua acompanhada de má gente. Se o neto gostasse de suco de abacaxi, ela dizia que abacaxi era cancerígeno, ou alguma coisa do tipo. Se o marido quisesse comer um pedaço de carne a mais no jantar, era porque ele estava querendo se matar elevando o nível de sódio no sangue. Se a vizinha resolvesse mudar o corte de cabelo, era porque não passava de uma vagabunda barata desesperada pela atenção dos homens. Um dia o filho mais velho, cansado das maldades da mãe, resolveu dizer tudo que estava entalado em sua garganta, humilhando-a em frente a vizinhos e familiares, acreditando que daquele modo a velha pensaria antes de falar sobre a vida alheia. Coisas terríveis foram ditas. A mulher se calou visivelmente contrariada. Os olhos se franziram, o queixo tremeu fortemente. Sua boca, então, se abriu: "Este ingrato me ofende assim porque é traído há anos pela mulher. Porque é um amargurado, um traído imbecil!"&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1402216065306982423?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1402216065306982423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1402216065306982423&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1402216065306982423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1402216065306982423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/01/espinhos.html' title='Espinhos'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-5714410593820703057</id><published>2010-01-18T20:47:00.007-02:00</published><updated>2010-01-27T11:52:29.630-02:00</updated><title type='text'>O provável futuro motivo do crime</title><content type='html'>&lt;span&gt;Elísio desejava, do fundo de sua pobre alma, matar o vizinho César. Odiava aquele homem como quem odeia um imbecil se fazendo passar por intelectual ou um artista de dons verdadeiros sem qualquer modéstia. Odiava-lhe com um prazer desmedido e cruelmente belo. Odiava seus olhos mortos e inexpressivos, a cara enrugada e entediante que tinha, os dentes amarelados pelo cigarro, as mãos sempre mal lavadas, as unhas grossas e esbranquiçadas, o tom de voz rouco, o caminhar lento, as roupas dois ou três números acima do necessário e, principalmente, o seu idolatrado Del Rey - aquele automóvel luzidio, perfumado e equipado com os mais variados sistemas de som existentes, que era esfregado ao menos cinco vezes pelo velho César com sua flanela de beira de estrada manchada e que, todos os dias às duas e trinta da tarde, parava em frente à casa de Elísio e lá ficava, com o porta-malas aberto, emitindo todo tipo de música detestável até o início da noite. Fizesse o mais quente dia de verão ou a mais úmida tarde de inverno, não importava, o Del Rey lá estaria, estrelando sua tortura diária insistente e incansável. Algo que, muito provavelmente, viesse a terminar em sangue. Ou, numa suposição bastante realista, em uma lataria destruída, em quatro rodas perfuradas e diversos alto-falantes estourados.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-5714410593820703057?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/5714410593820703057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=5714410593820703057&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5714410593820703057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5714410593820703057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/01/elisio.html' title='O provável futuro motivo do crime'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-4483632521322122278</id><published>2010-01-13T19:01:00.006-02:00</published><updated>2011-01-04T22:01:36.620-02:00</updated><title type='text'>Fusão de companhias</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;A mocinha subiu ao palco envolta em babados e laçarotes de todos os tipos, com as mãozinhas brancas trêmulas, ansiosa por realizar a apresentação mais importante de sua vida. Os pais estavam na primeira fila munidos de câmeras fotográficas e filmadoras de alta definição e o irmão, gordo como era, tentava ajeitar o traje social enquanto se escondia entre as cortinas do palco na esperança de capturar um ângulo diferente da irmã com o celular. Os cabelos muito repuxados da moça afrouxaram um pouco com o franzir de sua testa imensa e a apresentação se iniciou. Da clarineta, todos na plateia puderam ouvir soar a interpretação asquerosa de uma composição cafona qualquer. Uma coisa desafinada e desgraçada, cheia de chiados e perdas de ritmo que culminou com os aplausos de todos os presentes. Aquela menina, coitada, feia e sem talento como era, tinha tudo; tudo que o dinheiro de seu estimado pai - o dono da maior companhia aérea do país - pudesse comprar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-4483632521322122278?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/4483632521322122278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=4483632521322122278&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4483632521322122278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4483632521322122278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/01/fusao-de-companhias.html' title='Fusão de companhias'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-6387293389874383635</id><published>2010-01-08T16:13:00.012-02:00</published><updated>2010-01-18T21:24:09.094-02:00</updated><title type='text'>Momentaneamente antônimo</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;"Fabrício Oliveira Matos." - disse o rapaz estranhamente constrangido. Estava sentado numa das pouco acolhedoras poltronas do Banco Monte, diante de uma moça elegantíssima que, naquele momento, abria para ele uma conta bancária. Como aquela era uma moça compenetrada em seu trabalho e, aparentemente, mal-humorada, Fabrício receou que a abertura de sua primeira conta pudesse se tornar um pequeno martírio. As pessoas mal-humoradas e sérias demais costumavam ser, também, intolerantes em certas situações. Como a moça perguntara seu nome, acreditou apropriado apresentar-se do modo como era conhecido por todos, mas fê-lo - como sempre - com embaraço. Logo ela lhe pediria algum documento de identificação e ele ficaria ainda mais constrangido. Fabrício era um rapaz transexual, assombrado pelo nome e pelo gênero constantes em seus documentos de registro. Neles o nome Sabrina Oliveira Matos reinava como um demônio pronto para negar sua realidade masculina, pronto para extirpar tudo aquilo que tivera conquistado em busca de sua felicidade e aceitação. Alheia à realidade do rapaz, a moça olhou para ele e, talvez tentando compreender o que o nome Sabrina fazia em sua carteira de identidade, perguntou seu nome novamente. "Sabrina Oliveira Matos..." - disse o rapaz no sussurro mais discreto que conseguiu emitir, imensamente humilhado. A atendente tornou a olhá-lo e, com as feições vestidas num misto de nojo e falsa simpatia, continuou o processo de abertura da conta. Fabrício ficou mudo acompanhando com os olhos as idas e vindas da moça pelo interior daquele imponente estabelecimento financeiro. Num momento teve a impressão de que ela tinha algo de exótico, alguns traços masculinos talvez, mas acreditou que fosse apenas sua imaginação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-6387293389874383635?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/6387293389874383635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=6387293389874383635&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6387293389874383635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6387293389874383635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2010/01/momentaneamente-antonimo.html' title='Momentaneamente antônimo'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-6687469855150204911</id><published>2009-12-30T22:38:00.000-02:00</published><updated>2010-01-02T17:09:04.416-02:00</updated><title type='text'>Frustração</title><content type='html'>&lt;span&gt;Numa quinta-feira, a empregada Cida surpreendeu o patrão vestido com as roupas da esposa, desfilando de salto alto. Temendo que a mulher arruinasse sua vida de homem respeitoso, ele lhe implorou que mantivesse segredo sobre o que tivera presenciado. Cida, porém, não tinha a intenção de causar qualquer transtorno. Humildemente acalmou seu patrão e com tranquilidade foi se retirando do quarto. "O senhor fica ótimo de vermelho." - disse ela com todo o respeito.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-6687469855150204911?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/6687469855150204911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=6687469855150204911&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6687469855150204911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6687469855150204911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/12/frustracao.html' title='Frustração'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3741789072103344867</id><published>2009-12-27T13:13:00.004-02:00</published><updated>2010-01-02T17:04:19.696-02:00</updated><title type='text'>Maria Enelvita Brandão</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;Na ceia de ano novo de Maria Enelvita Brandão estavam presentes aproximadamente oitenta convidados, todos da alta sociedade, ostentando trajes de cortes impecáveis e joias do mais valioso brilho. Era uma noite dedicada à caridade. De acordo com o convite enviado à casa daqueles senhores de generosas contas bancárias, o valor arrecadado com as doações seria revertido na manutenção e ampliação da Casa São Francisco, que amparava crianças e adolescentes abandonados. Para acessar a festa na mansão de Enelvita cada convidado deveria entregar, logo no portão de entrada, sua contribuição em dinheiro e aguardar a confirmação de que seu nome estava na lista. Teófilo, Evandro, Limeira, João Luís e Mauro, os cinco ex-maridos de Maria Enelvita e também o atual, Hélio, estavam afoitos pela conclusão daquele circo. A anfitriã e seus seis asseclas tinham armado um golpe extravagante: reuniriam todo o dinheiro daquela gente parva, aguardariam que se retirassem para apreciar a queima dos fogos de artifício e fugiriam com aquela pequena fortuna. Por mais ricos e poderosos que fossem os convidados, nenhum deles fora capaz de perceber que a Casa São Francisco era uma fraude, assim como a própria Maria Enelvita Brandão o era. Enquanto os presentes estivessem hipnotizados pelas luzes coloridas explodindo nos céus daquela noite de ano novo, os organizadores daquele jantar beneficente estariam rumando para algum lugar longínquo a bordo da lindíssima lancha furtada dois dias atrás.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3741789072103344867?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3741789072103344867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3741789072103344867&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3741789072103344867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3741789072103344867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/12/maria-enelvita-brandao.html' title='Maria Enelvita Brandão'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3378668197399346655</id><published>2009-12-24T12:19:00.006-02:00</published><updated>2011-04-21T00:51:00.187-03:00</updated><title type='text'>Linhagem monstruosa</title><content type='html'>&lt;span&gt;No espelho a princesa viu refletida a imagem de um monstro abominável e sorriu feliz. Havia se casado com o príncipe-monstro Fhor e se tornado a princesa-monstro do reino com toda pompa e circunstância, numa cerimônia barulhenta e de mau gosto oferecida pelo rei. Quando o pai de Fhor morresse - o que não tardaria a acontecer -, Trallia se tornaria a rainha-monstro e seu marido, o rei. E certamente seriam os reis-monstro mais asquerosos e horrendos de que se tivera notícia, porque conservavam como ninguém a feiura do corpo por meio de exercícios físicos não executados, de dietas gordurosas e do não uso de protetores solares (especialmente porque no reino jamais tivera sido comercializado qualquer protetor solar). Quando tivessem seu primeiro filho, a princesa Trallia e o príncipe Fhor garantiriam a continuação da linhagem real e ganhariam doze sacos de dinheiro, porque o nascimento de pequenas crianças-monstro era celebrado com ouro no reino. Como havia entre os casais-monstro um sentimento de repulsa grandioso, raramente alguma criança era gerada e, assim, quando isso ocorria, havia motivos de sobra para comemorações.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3378668197399346655?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3378668197399346655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3378668197399346655&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3378668197399346655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3378668197399346655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/12/linhagem-monstruosa-real.html' title='Linhagem monstruosa'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3870133966155727400</id><published>2009-12-16T14:49:00.001-02:00</published><updated>2009-12-27T15:16:04.750-02:00</updated><title type='text'>As primeiras gotas de chuva</title><content type='html'>&lt;span&gt;O céu se escureceu repentinamente, com nuvens grossas e cinzentas prontas para derramar uma tempestade de verão. Nenhuma folha se movia nas árvores e tampouco qualquer ruído se fazia ouvir. A fúria da natureza se preparava para um espetáculo. Dentro de pouco uma ventania fortíssima arrancaria placas e derrubaria muros suscetíveis, como também levaria aquilo que ousadamente se colocasse à sua frente. A mulher que morava ao lado da farmácia, numa das mais antigas residências do bairro, suspeitou disso e, resignada, rezou uma súplica sincera e dolorosa. Fechou os olhos e ajoelhou-se. Ouviu as primeiras gotas de chuva.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3870133966155727400?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3870133966155727400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3870133966155727400&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3870133966155727400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3870133966155727400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/12/as-primeiras-gotas-de-chuva.html' title='As primeiras gotas de chuva'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-8219420679973787072</id><published>2009-12-15T23:00:00.007-02:00</published><updated>2009-12-27T12:49:45.891-02:00</updated><title type='text'>Pranto</title><content type='html'>&lt;span&gt;No sonho Eleonora surgiu pálida, assombrada, umedecida em lágrimas. Nas mãos trazia cacos de cristal embebidos em sangue. Olhava à volta em busca da tia, como se precisasse abraçá-la para livrar-se dos medos que a afligiam, como se esperasse seu apoio. Tinha matado o irmão cortando-lhe o pescoço com uma das taças de champanhe que repousava no interior da cristaleira da sala e carregava sobre o corpo manchas úmidas de um rubor demoníaco que, ainda quentes, pareciam corroer a superfície de seu vestido. Eleonora acordou trêmula. Estava sentada sobre o fino colchão de sua cela. Olhou para si própria, olhou para as mãos, depois voltou a recostar-se. Era seu primeiro mês na prisão e a qualquer momento a tia viria visitá-la.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-8219420679973787072?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/8219420679973787072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=8219420679973787072&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8219420679973787072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8219420679973787072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/12/mau-amor.html' title='Pranto'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-5103130578850152951</id><published>2009-12-08T11:46:00.012-02:00</published><updated>2010-02-24T17:10:16.676-03:00</updated><title type='text'>A perna amputada</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;O belo filho do alfaiate, João Henrique, a despeito da delicadeza com que tratava as pessoas à sua volta era um homem de personalidade violenta. Ninguém sequer desconfiava que ele, com sua face serena e seus gestos quase femininos, fosse capaz de acalentar desejos assassinos. Tinha, porém, um severo, misterioso e secreto desequilíbrio psíquico. Num instante admirava uma pessoa e em outro queria vê-la sofrendo as derradeiras dores da morte. Uma fúria incontrolável lhe tomava repentinamente e ele, então, precisava tomar seus remédios antes que algo saísse do controle. Fora assim desde o dia em que o irmão mais velho, Cássio, inconsequente e imaturo o suficiente para não pensar no que estava fazendo, empurrou-o para o meio da estrada que ladeava a casa da família por pura diversão. João Henrique - apenas um menino na época - caído no chão de asfalto foi apanhado por um veículo em alta velocidade, teve atingida sua perna esquerda e completamente dilacerada sua admiração pela vida. No banco de trás do carro do pai, envolvido num lençol que rapidamente se encharcava de sangue, o menino olhou fixamente para o irmão e por alguns segundos esqueceu a imensa dor que o consumia. Olhou-o e deixou-se levar por um ódio destruidor, por uma ira incontrolável e assassina. Imaginou coisas horrendas. Coisas que faria naquele momento se não estivesse tão debilitado e dolorido. Mataria Cássio ali mesmo se conseguisse manter-se acordado. Seus olhos se fechavam. Povoado pelo rancor, desmaiou. Quando acordou estava sobre a cama do hospital com metade da perna esquerda amputada. Levou anos para se acostumar com aquilo. Não queria realizar os tratamentos e detestava imensamente a prótese ortopédica trazida dos Estados Unidos para ele. Assombrado por pesadelos e pelas vozes de sua própria mente, João Henrique um dia sentiu novamente o súbito desejo de aniquilar. Queria avançar sobre o próprio pai, queria asfixiá-lo, mas numa luta silenciosa conseguiu suprimir sua fúria e acalmar-se. Já adulto buscou tratamento às escondidas; foram-lhe prescritos medicamentos fortíssimos e a partir daí as crises violentas passaram a ser quase diárias. Tornou-se um homem educado, doce e elegante por fora e inteiramente agressivo e impulsivo por dentro. Sentia-se como um assassino em série que jamais tivera cometido qualquer homicídio, mas que assim mesmo merecesse ser julgado e condenado à prisão. Por esse motivo evitava ficar muito tempo fora de casa, trancafiando-se no cárcere que ele mesmo tivera criado. Vivendo como um prisioneiro dos próprios traumas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-5103130578850152951?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/5103130578850152951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=5103130578850152951&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5103130578850152951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5103130578850152951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/12/perna-amputada.html' title='A perna amputada'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-2482344550813924342</id><published>2009-11-28T14:49:00.002-02:00</published><updated>2009-12-14T15:34:06.870-02:00</updated><title type='text'>Beijo de amor</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;Tomado por uma ira incomum, Ricardo feriu a esposa com o espinho de uma rosa. Do rosto da mulher uma delicada gota de sangue se formou, passando pelo queixo e morrendo entre os seios. A flor se desmanchou ao cair das mãos de Ricardo, por certo ultrajada com a atitude do homem. Ele, então, beijou a esposa e lhe pediu perdão. O ferimento logo se fechou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-2482344550813924342?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/2482344550813924342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=2482344550813924342&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2482344550813924342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2482344550813924342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/11/beijo-de-amor.html' title='Beijo de amor'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-2821593106780991297</id><published>2009-11-24T19:47:00.009-02:00</published><updated>2009-12-19T15:59:08.301-02:00</updated><title type='text'>O trágico desfecho da festa em Rio Novo</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;A senhora Ivone D'Acampora despediu-se da cidade acompanhada do namorado Bruno, o rapaz de no máximo vinte anos que trabalhava para ela como motorista. Este guiava o lindíssimo automóvel do recém-falecido Cândido D'Acampora, um Corvette 1957 vermelho, enquanto a idosa Ivone balançava um antigo lenço amarelado para os vizinhos, fazendo tremular, por consequência, a gordura dos braços alvos que tinha. Com a morte do marido, a mulher decidira assumir o caso mantido com o jovem Bruno apenas porque estava livre para fazer o que bem entendesse. Deixara o casarão D'Acampora para trás porque queria viver na casa de campo que comprara em Rio Novo. Enquanto ela - a senhora de um império, hábil em negócios e sedenta pela companhia de meninos na flor da vida - nutria por Bruno apenas um desejo arrebatador, o pobre rapaz a amava como um pupilo ama sua mestra. Um dia ele a pediria em casamento numa grandiosa festa e ela lhe negaria aos risos. Inconsolável, Bruno tiraria a própria vida. Antes, porém, atearia fogo na estimada coleção de sapatos da amada envolto num sentimento completamente doentio.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-2821593106780991297?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/2821593106780991297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=2821593106780991297&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2821593106780991297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2821593106780991297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/11/o-tragico-desfecho-da-festa-em-rio-novo.html' title='O trágico desfecho da festa em Rio Novo'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3560491403318128368</id><published>2009-11-21T20:35:00.000-02:00</published><updated>2009-12-14T15:10:51.241-02:00</updated><title type='text'>Como ela, a rainha</title><content type='html'>&lt;span&gt;A rainha surgiu mortalmente bela em seu vestido vermelho que era frondoso como uma imensa dália de sangue. O diâmetro da saia daquele traje beirava os oito metros e sua superfície era inteiramente incrustada de cristais do mais maravilhoso brilho e de pedras retiradas das profundezas dos sete mares. Na cabeça trazia uma espécie de coroa que na verdade era o valiosíssimo casulo de um imenso inseto criado nos jardins do palácio. Invisíveis sob as incontáveis camadas do vestido havia dois sapatinhos de porcelana da mais rica brancura, manchados apenas pela pintura de duas rosas rebuscadas, uma em cada pé. Seu leque, feito de finas tiras de mogno apenas servia para decoração, porque nem calor fazia. A mulher estava incontestavelmente esplendorosa, trazia sobre o corpo tantos adereços resplandecentes, tão ou mais cintilantes que o brilho do sol, porém nada dentro de si: nem mesmo um sopro de alegria ou uma mísera nuvem de paixão se esgueiravam na intimidade de seu ser. Um dia ela haveria de morrer e toda a sua riqueza tornar-se-ia efêmera, como ela.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3560491403318128368?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3560491403318128368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3560491403318128368&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3560491403318128368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3560491403318128368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/11/como-ela-rainha.html' title='Como ela, a rainha'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-7643197625127496142</id><published>2009-11-08T22:52:00.009-02:00</published><updated>2009-12-11T11:38:17.620-02:00</updated><title type='text'>Pedido de desculpas</title><content type='html'>&lt;span&gt;A mulher do pianista abominava os amores folhetinescos com todas as forças. Fazia pouco das mocinhas que se desmontavam em choros delirantemente prolongados e também dos homenzarrões brutos que deixavam para trás suas amadas tomados por relâmpagos de ciúme. Quando encontrava uma dessas mocinhas lacrimejantes, costumava apanhá-la pelo braço e levá-la até o Inferno - se preciso fosse - a fim de lhe mostrar que havia coisas demais no mundo com que se preocupar. Geralmente a mulher do pianista conseguia, com isso, fazer com que um choro cafona de amor folhetinesco se transformasse num choro autêntico e justificável. Dos homenzarrões limitava-se a debochar com prazer. Para ela nada era mais odioso e ridículo que desistir de algo por ciúmes. No fim de semana passado, porém, deixou o marido ao imaginar-se traída com uma dessas mocinhas chorosas e se entregou, inconsolável, aos braços de um delicado e gentil aluno de piano. Aguardará o "pedido de desculpas" do seu homem com resignação e banhada em lágrimas, sim, mas não sozinha.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-7643197625127496142?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/7643197625127496142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=7643197625127496142&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/7643197625127496142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/7643197625127496142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/11/lucinda-piragibe.html' title='Pedido de desculpas'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3656348070016861119</id><published>2009-11-03T23:44:00.014-02:00</published><updated>2009-12-14T15:43:24.461-02:00</updated><title type='text'>Homens simplórios</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;A oficina mecânica Mustang ficava localizada na Avenida Leonor Orestes, mil e treze, a cinquenta metros da casa da família Pereira. Lá morava, junto dos pais adotivos, a doce e dissimulada Mila, que passava seus dias a seduzir homens simplórios. Muito embora houvesse na cidade dúzias de sujeitos dispostos a ceder aos seus encantos, sua atenção constantemente se focava na bela e viril figura de Rômulo, um dos mecânicos da rua. Adorava incendiá-lo com sua beleza rebuscada e despertar nele os mais fervorosos desejos. Fazia-o, porém, com sutilezas, sem atos explícitos, apenas com olhares e gestos contidos. Rômulo acreditava que Mila o encarava unicamente como um cliente em potencial, como outro de seus eleitos, mas não se incomodava. Desejava de todo coração ter uma oportunidade com ela. Queria conquistá-la. Mila, por sua vez, não imaginava que Rômulo conhecia suas intenções veladas e temia que o perigoso plano que tivera engendrado destruísse qualquer possível chance com ele. Prolongara ao máximo o fatídico dia em que ofereceria ao mecânico, por um valor determinado, a flor de sua inocência. Tinha-lhe uma simpatia tão verdadeira, uma predileção tão intensa, algo que não sabia explicar. Nenhum dos outros homens era como ele. Talvez o amasse, mas não quisesse admitir. Talvez aquilo que julgasse amor fosse mera devoção. Se aquele plano de algum modo se desfizesse, Mila perderia o dinheiro da viagem para a Europa, mas certamente se encorajaria a declarar aquilo que sentia por Rômulo. E, mesmo que o plano tivesse de se manter vivo, que pelo menos o gentil mecânico arrematasse sua pureza. Que a comprasse com toda sua simplicidade. Doce e dissimulada na mesma proporção, Mila era, no fundo, frágil e apaixonada: alguém que seduzia por seduzir. Era conveniente para ela que seus simplórios cavalheiros disputassem o direito de pagar o preço de sua primeira noite como mulher, financiando sua fuga para um novo mundo; era ousado e transgressor, mas não era um desejo verdadeiro. A bela e viril figura de Rômulo, incendiada e desperta por fervorosos desejos, surgiu viva em sua mente. Nenhum dos outros homens jamais seria como ele.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3656348070016861119?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3656348070016861119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3656348070016861119&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3656348070016861119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3656348070016861119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/11/homens-simplorios.html' title='Homens simplórios'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-8461016080562075635</id><published>2009-10-30T21:37:00.003-02:00</published><updated>2009-12-11T11:40:23.637-02:00</updated><title type='text'>Instabilidade</title><content type='html'>&lt;span&gt;Em seus pesadelos Roberto costumava vislumbrar-se caminhando sobre os altíssimos muros da escola em que tivera estudado na infância. Num esforço brutal tentava manter-se equilibrado, mas invariavelmente despertava com o peito agitado após ter pisado em falso e desabado de cima das paredes que circundavam a instituição. Acreditava que os sonhos que tinha eram reflexo da vida austera e castrada que o tinham obrigado a viver. Passava seus longos dias a equilibrar-se aqui e ali, temendo desagradar à avó ou ao padeiro, à professora de piano ou aos colegas da universidade. Estava morrendo por dentro sem jamais ter tido a oportunidade de viver como desejava. Um dia, ele sabia, demoliria aqueles malditos muros com toda sua força e caminharia pela calçada. Se algum veículo passasse ao seu lado, após um dia de chuva, e lhe molhasse com a água de um poça qualquer, ainda assim seria maravilhoso estar no chão, estável, seguro de si.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-8461016080562075635?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/8461016080562075635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=8461016080562075635&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8461016080562075635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8461016080562075635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/11/instabilidade.html' title='Instabilidade'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-4322474270102006265</id><published>2009-10-26T16:41:00.004-02:00</published><updated>2009-12-11T11:40:39.132-02:00</updated><title type='text'>O declínio de Marion Palhares</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;A grande estrela do cinema Marion Palhares, acostumada a desfilar pelas ruas em trajes sofisticados e caros, sempre com as maçãs do rosto coradas e com os olhos delineados, teve de sair às pressas aquela manhã para acompanhar a mãe ao hospital. A mulher de setenta e dois anos estava à beira da morte, era sabido, mas ninguém queria se preparar para vê-la num caixão. Mais cedo ou mais tarde, porém, a grande dama entregar-se-ia às investidas da morte, diziam os médicos. Marion, que era a filha preferida da velha, e que tinha seguido seus brilhantes passos numa carreira invejável e triunfante, havia recebido a ligação de seu padrasto sobre as dores que a mãe sentia no peito e imediatamente deixado sua casa, como se pudesse, assim, evitar uma terrível desgraça. Saíra tão abruptamente ao encontro da mãe que não tivera tempo de arrumar-se. Por alguns instantes havia esquecido quem era. Estranhou o fato de as pessoas não a reconhecerem quando a viram entrar no hospital e tampouco presumirem que se tratava de alguém de renome, uma vez que estivesse rodeada de seguranças, mas não imaginou que aquilo tivesse alguma relação com o modo como estava trajada. Só semanas depois, no enterro da mãe, Marion percebeu que na realidade seu estrelato era uma farsa. Na cerimônia fúnebre, com os olhos negros e com a boca coberta por um vermelho sanguíneo, todos a cumprimentavam e a beijavam. Estava lindíssima. Era amada por seus disfarces caríssimos e não pela arte tão singela e sincera que venerava.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-4322474270102006265?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/4322474270102006265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=4322474270102006265&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4322474270102006265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4322474270102006265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/11/o-declinio-de-marion-palhares.html' title='O declínio de Marion Palhares'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-5779574577594133558</id><published>2009-10-25T13:02:00.011-02:00</published><updated>2011-04-21T00:53:34.563-03:00</updated><title type='text'>Crime não cometido</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Quando Cláudio retornou de viagem, seu irmão Rafael correu a seu encontro e lhe deu o mais amoroso dos abraços. Em meio a uma multidão que ia e vinha em todas as direções carregando malas pequenas e grandes, ficaram os dois por alguns minutos a contemplar aquele momento raro de amizade. Geralmente havia um bloqueio entre eles que não permitia certos tipos de intimidade. Sendo irmãos era estranho que quase nunca trocassem abraços, mas era o que acontecia. Tinham aprendido com o avô a suprimir demonstrações de afeto e a se esquivar de situações que expusessem suas fraquezas e emoções. "Senti sua falta." - disse Rafael, enquanto levava as bagagens do irmão para o carro. Cláudio nutria por ele um sentimento de zelo comparável ao que um pai nutre por seu filho. Em muitas ocasiões o irmão mais novo contou com seus conselhos e com sua proteção. No auge dos dezoito anos, porém, Rafael tinha amadurecido. Quando o irmão viajou para a Alemanha era apenas um menino e agora tinha se tornado um homem. Aprendera que escolhas erradas podiam levá-lo ao arrependimento e por esse motivo tivera passado os últimos dias envolto em pensamentos. Com o retorno de Cláudio, não sabia o que podia acontecer. Tinha por ele um amor tão grande, uma devoção tão silenciosa e pura que às vezes lhe assombrava. O coração quase explodira quando chegara ao portão de desembarque do aeroporto para recebê-lo aquela manhã. Aquele abraço tivera sido tão desejado e ao mesmo tempo tão temido, e saíra tão afetuoso, tão espontâneo. Logo chegariam à casa dos avós e o irmão mais velho desfaria as malas, arrumaria seu guarda-roupa e tomaria um longo banho. Rafael veria através de uma fresta de porta o corpo nu do irmão como nunca antes e, desolado, choraria atingido por um sentimento conhecido: uma mescla de desejo e pecado tão brutal e amarga quanto um crime não cometido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-5779574577594133558?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/5779574577594133558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=5779574577594133558&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5779574577594133558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5779574577594133558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/11/incompatibilidade.html' title='Crime não cometido'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-4661101365839064675</id><published>2009-10-13T23:53:00.005-03:00</published><updated>2009-12-11T11:41:37.120-02:00</updated><title type='text'>A curva do mundo</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O imenso dirigível recortava os céus daquela tarde de novembro como se dividisse um delicado pedaço de seda azul em dois. A bordo, o octogenário Guilhermino observava silenciosamente o lindo horizonte através das janelas da gôndola. Quando estava a bordo daquele deslumbrante aparato voador sentia-se anos mais jovem e alegava esquecer-se das dores e temores. Tivera transformado aqueles eventuais passeios aéreos em verdadeiras fugas da realidade, entregando-se por inteiro ao desbravamento da paisagem celeste.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-4661101365839064675?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/4661101365839064675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=4661101365839064675&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4661101365839064675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4661101365839064675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/10/curva-do-mundo.html' title='A curva do mundo'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-648926362215579651</id><published>2009-10-07T22:06:00.006-03:00</published><updated>2009-12-11T11:41:53.739-02:00</updated><title type='text'>Preto, preto</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;O gato preto, ignorante de sua aparência física, um dia admirou-se em frente a um espelho e morreu logo depois. Não era simplesmente o lindo-gato-preto-da-moça-da-cocada, mas sim o lindo-gato-preto-da-moça-da-cocada-supersticioso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-648926362215579651?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/648926362215579651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=648926362215579651&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/648926362215579651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/648926362215579651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/11/preto-preto.html' title='Preto, preto'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-2658718337387249339</id><published>2009-09-27T14:37:00.018-03:00</published><updated>2009-12-11T11:42:04.290-02:00</updated><title type='text'>Véu rubro</title><content type='html'>&lt;span&gt;A mãe e a irmã de Alícia, acompanhadas da cozinheira Rita, subiram as escadas da casa às pressas após ouvirem um grito de pavor. Algo horrendo havia acontecido: sobre os lençóis da cama da moça encontraram adormecido seu vestido de noiva impiedosamente mutilado. Havia rasgos de diversos tamanhos em toda a delicada superfície do traje e fartas manchas de sangue que exalavam um forte cheiro de ferrugem. Uma Alícia fragilizada se encontrava caída aos pés da cama. O rosto, sempre exuberante como uma ensolarada tarde de primavera, havia envelhecido anos e os olhos, semicerrados, pareciam mortos de luz. Nenhuma celebração religiosa ou festa de casamento seria realizada aquela tarde; nada havia para comemorar. Assombrada pela imagem do sonho de uma vida desfeito em farrapos, a moça sentira fortes contrações no ventre, e assim como seu vestido de noiva, desmanchara-se em sangue. Com o rosto lavado em lágrimas e as mãos trêmulas, a cozinheira Rita apanhou o telefone sobre o criado-mudo do quarto e chamou os médicos que, em alguns minutos, levaram Alícia para o hospital. Ela havia abortado, soube-se mais tarde, e não mais poderia ter filhos. Inconformado com o estado de saúde da noiva, Carlos tivera preferido terminar o relacionamento a manter uma união que não pudesse gerar frutos. Pagou todas as despesas médicas da ex-noiva e foi para casa sem dar palavra. Na recepção do hospital, a mãe e a irmã de Alícia conversavam entre sussurros. "Talvez nunca acreditem, mas minha única intenção foi destruir o vestido." - disse a irmã. "Agora é tarde para lamentações, minha filha. Você teve o que queria."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-2658718337387249339?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/2658718337387249339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=2658718337387249339&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2658718337387249339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2658718337387249339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/09/mae-e-irma-mais-nova-de-alicia.html' title='Véu rubro'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-7915812057776341561</id><published>2009-09-15T21:24:00.003-03:00</published><updated>2009-12-11T11:42:29.746-02:00</updated><title type='text'>Carta a um homem cuja vida outros escreveram</title><content type='html'>&lt;span&gt;Você certamente se julga esperto quando suga a brisa de quem está à sua volta e a utiliza para mover as velas de suas próprias embarcações. Nem sempre, porém, haverá de quem roubar brisas, meu bom homem e, talvez, suas velas rasguem um dia. Costureiras com brisas roubadas quase sempre se recusam a costurar as velas de alguém com sua reputação, porque sabem apreciar a vingança e todos os seus delicados aromas e sabores. Também não resultará vantajoso chorar sobre os ombros duros de seu velho pai: este estará farto dos seus caprichos infantis e lhe dará as costas. Suas noites serão, assim, infinitas e secas, embaladas pelo choro dos que por você foram aleijados. Sua cabeça, enorme, repousará sobre farpas de arrependimento que cravarão na superfície de sua pele alva e jovem o veneno do envelhecimento amargurado e débil. Você certamente se julga vivo quando lança em terrenos de lodo negro suas descobertas mais preciosas e ri, como fazem todas as mentes egoístas, do que aquilo lhe proporcionará num futuro vindouro. Infelizmente, um dia o dinheiro que financia seus inventos mirabolantes acabará e não haverá modos de transformar em diamantes seus imundos segredos enterrados. Terá você mesmo que alimentar as onerosas fogueiras de sua vaidade, impedindo penosamente que as gotas salgadas de sua face operária apaguem as labaredas já conseguidas. Será uma vida brutal e ocre. E aqueles que um dia lhe dirigiram olhares fartos de compaixão estarão imensamente ocupados, tentando reerguer-se de investidas violentas, e não lhe dedicarão o mesmo amor. Dias claros, acredite, também lhe amanhecerão, mas não serão banhados de luz. Você verá que existirá um vácuo ameaçador, um imenso facho sombrio que lhe perseguirá aonde for. Então, o mundo que não fala a sua língua deixará de ser tão fascinante, porque mesmo neste a luz recusar-se-á a lhe prestar reverências. O sol, por ele mesmo, banir-se-ia da Via Láctea por sua causa, não fossem as leis físicas que sempre o regeram, e permaneceria mudo, mascarando o próprio rancor. Você se julga grandioso quando vê as coisas que construiu abaixo de sangue e suor alheios cintilando ao longe. Não vê que coisas feitas sem perícia e alma desmoronam como as folhas no outono? Não vê que o sangue e o suor de gente infeliz formam nada mais que uma liga mole e volátil, imprestável para a construção de pilares? Tudo virá abaixo, homem, e escute o que lhe digo: nada poderá ser aproveitado; de escombros apenas resultarão escombros. Milhares morrerão sob as vigas de suas construções arruinadas e você terá de pagar pelas vidas desfeitas e por aquelas impedidas de se fazerem, vítimas de sua indolência arrogante. Um dia, bom homem, tudo isso vai acontecer e você já terá sido prevenido. Os ombros de seu pai já começam a enrijecer. A noite começa a se alongar. Logo tudo cairá.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-7915812057776341561?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/7915812057776341561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=7915812057776341561&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/7915812057776341561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/7915812057776341561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/09/carta-um-homem-cuja-vida-outros_15.html' title='Carta a um homem cuja vida outros escreveram'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3784425062643813083</id><published>2009-09-13T21:27:00.002-03:00</published><updated>2009-12-11T11:43:10.029-02:00</updated><title type='text'>Mais linda do que nunca</title><content type='html'>A consultora de moda achou sua cliente tão linda que lhe odiou profundamente. Vestiu-a apenas com o que de mais asqueroso havia em seu guarda-roupa, desalinhou-lhe os cabelos e enfiou-lhe uns óculos escuros pavorosos. No fim da tarde, quando terminou sua obra monstruosa, olhou aquela mocinha maltrapilha e desfaleceu: a cliente estava mais linda do que nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3784425062643813083?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3784425062643813083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3784425062643813083&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3784425062643813083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3784425062643813083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/09/mais-linda-do-que-nunca.html' title='Mais linda do que nunca'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-5376996497170276495</id><published>2009-08-31T21:02:00.002-03:00</published><updated>2009-12-11T11:43:28.914-02:00</updated><title type='text'>Vinte e nove golpes</title><content type='html'>&lt;span&gt;Eram onze e quinze da noite. A delicada Virgínia despertou ofegante de um pesadelo. Tinha sonhado que sob o testemunho da lua minguante assassinara a marteladas seu marido Orestes, tingindo de rubro aterrador o vestido branco que trazia ao corpo. Acordara com a mão direita fechada, como a segurar o cabo do martelo sonhado, e tomada por um sentimento ruim. Os ares do quarto pareceram-lhe pesados; cerrou as cortinas tentando escapar de algo intangível. Depois correu de volta à cama, envolveu-se nos lençóis ainda quentes e manteve-se escondida no escuro pleno. Ela sabia que aquela noite era de lua minguante e não podia esperar pela chegada do marido.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-5376996497170276495?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/5376996497170276495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=5376996497170276495&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5376996497170276495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5376996497170276495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/08/vinte-e-nove-golpes.html' title='Vinte e nove golpes'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-4692433026007894417</id><published>2009-08-23T19:21:00.004-03:00</published><updated>2010-09-18T11:36:12.510-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A sombra de Valuno'/><title type='text'>A sombra de Valuno: Amanhecer</title><content type='html'>&lt;span&gt;Ocsion caminhou sem rumo durante cinco dias em meio a vegetações de pequeno porte e a árvores majestosas, encontrando cenários desoladores e paisagens delicadas em seu percurso. Com o corpo enfraquecido e sob alucinações causadas pelo cansaço, avistou um pequeno rancho e duas pessoas. Estava débil demais para esquivar-se da vista humana. Caiu. Em poucos instantes, o velho e a mulher jovem que ali moravam tinham-no alcançado. Levaram-no para dentro do casebre e deram-lhe alimentos e água. Perturbado com a devastadora verdade a respeito de Valuno, Ocsion sequer percebera a completa adaptação pela qual seu organismo, em contato com o ambiente terrestre, havia passado: sua estrutura física tinha se modificado na de um homem adulto. A pele, a face, os olhos, eram de um ser humano. "Agora eu entendo porque não hesitaram em se aproximar de mim quando me viram cair." - disse um dia, diante de um espelho da casa. Depois, contou tudo sobre si e sobre seu planeta e ainda assim continuou acolhido sem estranhamentos. Ganhou a confiança e a estima das pessoas à sua volta e com o tempo foi aprendendo as lições do campo e dedicando-se a ajudar quem necessitasse. Apaixonara-se perdidamente por aquela nova vida e pela jovem Laura, filha do homem que o tivera resgatado. Se casasse com ela, viajaria pelo espaço, desbravaria galáxias e mostrar-lhe-ia constelações de todo tipo. Pediu sua mão. Quatro anos depois o primeiro filho do casal nasceu e, como numa exaltação à vida, foi chamado Valuno.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-4692433026007894417?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/4692433026007894417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=4692433026007894417&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4692433026007894417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4692433026007894417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/08/sombra-de-valuno-amanhecer.html' title='A sombra de Valuno: Amanhecer'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-5340309728906509870</id><published>2009-08-17T21:02:00.005-03:00</published><updated>2011-01-28T23:09:35.516-02:00</updated><title type='text'>Valor inestimável</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;"Queira desculpar-me, senhora, mas este meu camisolão não apresentava esta terrível mancha cor-de-rosa quando o trouxe para lavar hoje cedo." - disse o elegantíssimo e cortês Otávio à dona da lavanderia, Ivana. "Não seja assim tão exigente, meu bom homem; quantos anos devem estar adormecidos neste pobre camisolão fora de moda? Esta peça ficou como nova!" A mulher costumava desviar a atenção das eventuais falhas cometidas por seu estabelecimento utilizando-se de falsos gestos amigáveis: "Podemos, no entanto, fazer-lhe um desconto de cinco por cento no valor do serviço e, garanto, tudo será esquecido." Mesmo um desconto de cinquenta por cento garantiria o lucro de sua lavanderia, pois os preços eram terrivelmente altos. "A senhora não está entendendo: preciso deste camisolão para trabalhar. Não posso me apresentar mal trajado." - Otávio estava visivelmente abalado. "Deixe de piadas, homem, e aceite o desconto!" - falou-lhe Ivana levemente ríspida. Ele de fato não podia trabalhar com o camisolão naquele estado, mas teria de vesti-lo de um modo ou de outro. Seus antepassados, que haviam usado aquele traje sob tempestades e calores infernais jamais tinham maculado um único centímetro do seu pálido tecido. Ele, Otávio, quiçá pudesse ser amaldiçoado por aquele deslize. "É a primeira vez que utilizo seus serviços, senhora, e seria uma grandiosa gentileza sua se pudesse tentar remover esta mancha abominável de meu camisolão. Estou disposto a pagar o dobro pelo serviço." Ouvindo aquilo Ivana não pôde recusar seus préstimos. Apanhou o camisolão das mãos do homem esbaforida. No dia seguinte, quando Otávio foi buscar o traje, encontrou-o alvíssimo. Ele, então, pagou o combinado e beijou as mãos de Ivana. Esta ficou extremamente satisfeita. Jamais descobriu que seu cliente era um fantasma de quilates vários: uma assombração de sangue nobre cuja família, há séculos, praticava a arte de amedrontar. Sempre, é claro, trajando o mesmíssimo camisolão branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedicado a Dennis D., amigo talentoso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-5340309728906509870?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/5340309728906509870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=5340309728906509870&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5340309728906509870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5340309728906509870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/08/valor-inestimavel.html' title='Valor inestimável'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-6615815815174554092</id><published>2009-08-09T23:10:00.003-03:00</published><updated>2009-12-11T11:43:56.671-02:00</updated><title type='text'>Estilhaços</title><content type='html'>&lt;span&gt;O menino Hugo preparava-se para a escola. Enquanto fechava a pequena bolsa azul onde os materiais escolares ficavam guardados, a mãe, com sua bondade suprema alinhava-lhe as vestes e lhe amarrava os cordões dos sapatos. Poucas vezes houve maus dias para eles. Lucinda, aquela mulher de face tão amorosa sempre dizia coisas de grande valor ao menino e aconselhava-lhe somente conselhos bons. Em troca ele regressava à casa sempre com pequenos presentes para a mãe: num dia eram folhas secas de castanheiro, noutro eram desenhos repletos da mais pura imaginação infantil. Nestes costumava surgir a figura de um homem pomposo, de vestes escuras, que parecia andar de mãos dadas com a mãe. Ao fundo o pequeno aparecia desmanchando-se em lágrimas, acolhido por uma mulher gorda e um homem de chapéu. Lucinda sempre ria dos desenhos. Pensava que o filho não queria vê-la casada com outro homem e que por isso desenhava aquela cena tantas vezes. O menino era maduro como poucas crianças de sua idade, mas talvez não suportasse ter o amor de sua mãe dividido com um estranho. A mulher, porém, jamais perceberia que o filho era sensitivo e que representava em seus desenhos o dia em que as autoridades a apanhariam. O homem pomposo e de vestes escuras era, na verdade, um agente policial. A mulher gorda e o homem de chapéu, representantes do juizado de menores. Mesmo a contragosto, o pequeno Hugo seria devolvido à sua verdadeira família, e aquele seria apenas o primeiro de seus pequenos traumas pueris.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-6615815815174554092?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/6615815815174554092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=6615815815174554092&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6615815815174554092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6615815815174554092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/08/estilhacos.html' title='Estilhaços'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-5247319189549228682</id><published>2009-07-31T22:31:00.002-03:00</published><updated>2009-12-11T11:44:45.668-02:00</updated><title type='text'>O lago</title><content type='html'>&lt;span&gt;Chovia, a mocinha apanhou o livro de receitas da mãe decidida a preparar deliciosos e calóricos bolinhos de chuva. Folheou as páginas daquele velho livro diversas vezes, mas não encontrou a receita que procurava. Encontrou, sim, uma foto de família. Ela própria, a mãe e o pai apareciam entre plátanos, numa viagem que tinham feito ao Canadá. No verso da imagem, encontrou os seguintes dizeres: "Querida Carolina, para sempre sentiremos sua falta". Carolina era ela, a mocinha, mas o texto não parecia fazer sentido. Guardou a imagem consigo. Mais tarde, quando os pais regressaram à casa, percebeu que seu acidente no lago congelado, aos quinze anos, tinha sido mais grave do que imaginava.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-5247319189549228682?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/5247319189549228682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=5247319189549228682&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5247319189549228682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5247319189549228682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/07/o-lago.html' title='O lago'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-4016770163038882462</id><published>2009-07-30T21:51:00.003-03:00</published><updated>2009-12-11T11:44:54.813-02:00</updated><title type='text'>Feito de açúcar</title><content type='html'>&lt;span&gt;A doce mulher se olhou ao espelho e, pela última vez, sentiu-se ridícula com aquele vestido. Era certo que tudo não passava de atuação, e que o uso daquele traje branco fazia parte do espetáculo, mas ela percebia que seu pequeno parceiro estava começando a acreditar naquela farsa, dedicando a ela as perfumadas flores da paixão. Eles eram atores, apenas fingiam-se de amantes. A relação que nutriam não passava de teatro. Mas Belmiro ficaria desolado quando soubesse que a mulherzinha não sentia por ele o mesmo que sentia por ela. Seu amor parecia ultrapassar a encenação. O fingimento, no entanto, devia acabar - estava decidido. Quanto mais aquela mentira fosse prolongada, mais sofrimento iria causar. A moça ajeitou o buquê cortando duas ou três folhas secas do arranjo, certa de que nunca mais precisaria voltar a fazê-lo. Depois subiu ao alto daquele morro açucarado. Lá estava o enamorado Belmiro, com seu fraquezinho bem cortado e com sua bela face de homem decente. Os noivinhos do bolo estavam prontos, mas até a festa de casamento se iniciar muitas horas transcorreriam.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-4016770163038882462?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/4016770163038882462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=4016770163038882462&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4016770163038882462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4016770163038882462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/07/feito-de-acucar.html' title='Feito de açúcar'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-8921262617731277988</id><published>2009-07-21T13:12:00.003-03:00</published><updated>2010-01-01T14:41:58.073-02:00</updated><title type='text'>O vaso de madressilvas</title><content type='html'>&lt;span&gt;A esquiva Mercedes era incapaz de exprimir qualquer sentimento. Na juventude tinha vendido sua alma a um homem gordo cujo nome era Orcílio - um negociador de almas, segundo ele próprio. O homem oferecera à Mercedes um lindíssimo vaso de madressilvas lilases que cintilavam vivamente em troca de sua essência vital, e ela aceitara. Nunca alguém havia oferecido tanto por ela. Sentiu-se tão benquista que até beijou a mão do homem em agradecimento. Quando recebeu seu pagamento e sua alma deixou seu corpo, porém, começou a enxergar as coisas de outra forma: Orcílio parecia tê-la enganado. As flores que recebera pela venda de sua alma eram completamente diferentes das oferecidas pelo homem. Qualquer pessoa perceberia a troca, pensara. "As madressilvas anteriores eram indiscutivelmente mais frondosas e reluzentes que estas, meu senhor. Exijo que me pague o combinado." - disse envolta numa apatia incomum. "As flores são exatamente as mesmas, meu pequeno anjo. Mas algo mudou. Não mais possui sua alma para esboçar qualquer espécie de emoção e tampouco para apreciar as belas cores ou sentir a vivacidade dessas madressilvas." - revelou-lhe o negociador. Depois disso, dobrou com delicadeza a alma da menina - um finíssimo e rosado traje translúcido -, pô-la num dos bolsos do paletó, apanhou alguns papéis, enfiou-os numa valise pequena e se foi. Mercedes permaneceu onde estava, olhando fixamente aquele irreconhecível vaso de madressilvas. Trinta anos haviam se passado desde então. As flores continuavam as mesmas: cinzentas, melancólicas. Mercedes, no entanto, havia piorado. Sequer podia interpretar o sabor de um morango ou reconhecer o aroma dos grãos de café. Perdera totalmente a capacidade de esboçar sorrisos ou de chorar quando estivesse magoada, vivendo sem objetivos ou razões. O gordo Orcílio, que estranhamente não envelhecia, tornou a encontrá-la diversas vezes e, um dia, falsamente sensibilizado por sua situação, ofereceu-lhe sua alma de volta, mas ela não demonstrou interesse. Nenhuma alma vendida poderia ser devolvida, era uma regra da vida. E Orcílio adorava confirmá-la.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-8921262617731277988?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/8921262617731277988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=8921262617731277988&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8921262617731277988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8921262617731277988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/07/o-vaso-de-madressilvas.html' title='O vaso de madressilvas'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-9122839723581775782</id><published>2009-07-15T23:08:00.003-03:00</published><updated>2010-09-18T11:35:47.506-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A sombra de Valuno'/><title type='text'>A sombra de Valuno: O asteroide</title><content type='html'>&lt;span&gt;Quando despertou, Ocsion viu um belíssimo exemplar de "Morpho aega" pousado sobre seu joelho esquerdo. As propriedades biológicas do inseto alado tinham sido transmitidas a ele. Conseguiu respirar o oxigênio presente no ar e a pressão atmosférica já não lhe perturbou. Levantou-se um tanto consternado e olhou em volta. Estava a alguns passos de sua nave. Com alguma dificuldade caminhou até ela e chorou. Nas mãos trazia a missão de deter a ira de um asteroide que atingiria seu planeta, mas falhara. Na parte traseira da nave, o mecanismo que desviaria a rota do imenso fragmento sólido ainda funcionava, mas para nada servia. A imagem de Valuno em chamas ressurgiu em sua mente. Apenas ele havia restado. Devia estar grato à vida por não ter morrido durante a tempestade cósmica que tivera tirado sua nave da rota programada, e também por ter sido salvo quando de sua chegada à Terra, mas sentia-se derrotado. Apanhou um pequeno objeto metálico e o apontou para sua nave. Enquanto caminhava sem destino, perdendo-se em meio ao descampado, seu reluzente transporte espacial foi se tornando transparente, desaparecendo por completo em poucos instantes.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-9122839723581775782?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/9122839723581775782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=9122839723581775782&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/9122839723581775782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/9122839723581775782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/07/sombra-de-valuno-o-asteroide.html' title='A sombra de Valuno: O asteroide'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-2960266402485586835</id><published>2009-07-14T16:57:00.003-03:00</published><updated>2010-02-24T21:35:08.116-03:00</updated><title type='text'>Desencontros</title><content type='html'>&lt;span&gt;Adalgisa escondia do marido o amante Eduardo. O marido de Adalgisa, Marcos, escondia da esposa o amante Gabriel. Gabriel escondia do namorado Eduardo o caso com Marcos. Eduardo escondia do namorado Gabriel o caso com Adalgisa. Na noite passada Marcos disse à esposa que precisava ficar até às vinte horas no trabalho para uma reunião. Adalgisa beijou o marido e disse que aproveitaria para ir com a mãe ao museu. Ambos mentiram. Marcos encontraria Gabriel em frente às Livrarias Machado. Adalgisa encontraria Eduardo no estacionamento da Doceria Santa Edwiges. Seria outro dia comum: no início da noite todos retornariam para casa exalando o adocicado perfume da luxúria. Em uma semana, porém, aquela emaranhada teia de traições se desfaria. Dois dos envolvidos pediriam o fim dos seus relacionamentos, um deles acabaria com a própria vida e o outro passaria a ingerir medicamentos fortíssimos para o controle da depressão.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-2960266402485586835?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/2960266402485586835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=2960266402485586835&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2960266402485586835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2960266402485586835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/07/desencontros.html' title='Desencontros'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-308744405999601486</id><published>2009-07-13T22:02:00.003-03:00</published><updated>2010-09-18T11:35:18.681-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A sombra de Valuno'/><title type='text'>A sombra de Valuno: Tempestade cósmica</title><content type='html'>&lt;span&gt;Há dez anos um grave acidente espacial fez com que uma nave valunita saísse de sua rota programada e adentrasse a Via Láctea, aterrissando sobre um imenso descampado interiorano na Terra. Durante o evento nenhuma luz foi vista, nenhum ruído foi ouvido e nenhum tremor foi detectado. A nave simplesmente pousara na superfície terrestre, trazendo consigo a prova incontestável da vida em outros planetas: o tripulante Ocsion. A aparência geral e a estatura do extraterrestre assemelhavam-se as de um ser humano adulto. A pele, no entanto, era vítrea, e os olhos eram grandes e negros. Estava vivo graças ao controlador automático de sua nave, mas ainda enfrentava grande perigo. Em poucos minutos, caso não conseguisse adaptar seu organismo às condições da Terra, entraria em choque e morreria. Podia imitar a codificação biológica de qualquer criatura no universo, necessitando para tanto o contato físico com esta. Não conseguia se mover, porém. Sentia-se fraco. Seus pulmões começavam a parar e a pressão atmosférica estava lhe perturbando imensamente. Seus olhos se fechavam e seu corpo descaía. Ocsion definhava pouco a pouco. Em meio a dores e delírios, viu o planeta Valuno - o seu planeta - esvair-se em chamas e soube que tinha fracassado em sua missão. De repente, um sopro frio lhe entrou pelas vias respiratórias e seu corpo começou e retomar a vitalidade. Não sabia como, mas havia sido salvo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-308744405999601486?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/308744405999601486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=308744405999601486&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/308744405999601486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/308744405999601486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/07/sombra-de-valuno-tempestade-cosmica.html' title='A sombra de Valuno: Tempestade cósmica'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-43380954997084254</id><published>2009-06-30T22:30:00.002-03:00</published><updated>2009-12-11T11:47:39.898-02:00</updated><title type='text'>Um caso sem qualquer importância</title><content type='html'>&lt;span&gt;Licinha Araújo era riquíssima, lindíssima e inquieta. Um dia inventou que desejava lançar uma revista de arte e achou isso muito honroso. Nunca havia pensado em trabalhar, mas tinha ouvido nas badaladas rodas sociais que trabalhar era chique, e em duas semanas estava pedindo ao pai que lhe financiasse aquele capricho. O velho nunca havia se divertido tanto com uma notícia. Enquanto a fortuna da família existisse, disse gargalhando, nenhum de seus filhos necessitaria se humilhar trabalhando. Acontecia, porém, que a mimadíssima Licinha tinha decidido se arriscar no mundo e queria experimentar o doce sabor do cansaço e da ansiedade aos fins de semana e, mesmo que o pai não lhe desse o dinheiro que pedia, não desistiria. Orgulhoso como era, o velho manteve sua palavra: seus filhos jamais trabalhariam. A moça ficou furiosa e no mesmo dia vendeu algumas roupas, dois ou três pares de sapato, e iniciou os processos legais para a abertura de sua editora. Vendeu muitas outras coisas, de pinturas a azulejos, lançou a esquisitíssima e oca revista Naïf e, em semanas, despertou a atenção da mídia. Depois das entrevistas que concedeu às emissoras de televisão e às rádios, a jovem Araújo tornou-se um fenômeno de vendas. Seu pai que era um dos três homens mais ricos do país, perdeu tudo num cassino em Las Vegas e hoje passa as tardes comendo torradas moles e lendo as excentricidades da filha.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-43380954997084254?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/43380954997084254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=43380954997084254&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/43380954997084254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/43380954997084254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/06/um-caso-sem-qualquer-importancia.html' title='Um caso sem qualquer importância'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-4800952036437088906</id><published>2009-06-27T22:22:00.004-03:00</published><updated>2010-02-24T21:25:05.843-03:00</updated><title type='text'>Introspecção</title><content type='html'>&lt;span&gt;Aldo Figueiredo, o âncora do Noticiário da Noite, era um homem comum por trás das câmeras. Comum como qualquer outro homem que tinha uma vida estável e bem arranjada. Gostava de acordar cedo todos os dias e de abrir as janelas da casa para deixar a luz entrar. Frequentava teatros, cinemas e restaurantes finos sempre que tinha vontade. Lia bons livros e revistas aos fins de semana. Gastava consideravelmente pouco com luxos e investia em ações. Um dia, quando seu casamento terminou, perguntou magoado à mulher que até então era sua esposa, o que havia de errado com ele. "Tudo em você é absolutamente comum." - ela disse. Aquelas palavras pareceram vazias no começo, mas logo fizeram sentido. Aldo era mesmo um homem de atitudes comuns. No dia seguinte não foi à emissora apresentar o jornal. Ficou em casa à companhia de si mesmo, em silêncio, pensando. Telefonou para o trabalho e mentiu que precisava se ausentar por alguns dias para a realização de um tratamento médico. Os dias foram se passando gentilmente. O jornalista retornou ao Noticiário da Noite seguido pelos olhares curiosos dos colegas de estúdio. Estava misteriosamente mais bonito e corado, caminhava seguro de si. Já não lembrava aquele homem enfadonho que outrora assombrava os bastidores da emissora com ações previsíveis e postura comedida. Parecia outro indivíduo. Quando o noticiário entrou no ar àquela noite, porém, todo o encanto se quebrou: o homem permaneceu três minutos em silêncio e logo depois começou a chorar, soluçando desesperadamente e pedindo desculpas aos espectadores. Ao que parecia, a mudança havia sido apenas externa. Mas o show devia continuar. No mesmo dia o rapaz do tempo, Vitório Junqueira, foi nomeado o novo âncora. E tudo voltou ao normal.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-4800952036437088906?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/4800952036437088906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=4800952036437088906&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4800952036437088906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4800952036437088906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/06/introspeccao.html' title='Introspecção'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-6969811891366691457</id><published>2009-06-11T21:53:00.003-03:00</published><updated>2010-09-18T11:24:46.794-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Azdro e a mariposa'/><title type='text'>Azdro e a mariposa: Equações</title><content type='html'>&lt;span&gt;Shantara havia escrito diversas obras discorrendo sobre o surgimento das estrelas e dos planetas e detalhado, em estudos, cálculos físicos de grandioso valor científico, mas dizia não perceber perfeitamente algumas sutilezas humanas. Ao amigo Azdro confidenciava que não compreendia por que alguns humanos choravam quando seus filhos nasciam e tantos outros sorriam ao fim de uma batalha, em que milhares haviam morrido. Era infinitamente sensível e inteligente, capaz de manifestar os mais legítimos sentimentos como a amizade e o amor; quiçá virtuosa demais para entender com perfeição outras tantas relações. O príncipe acreditava, porém, que a mariposa-gigante era uma criatura completa, capaz de entender desde as mais inalcançáveis deduções matemáticas até os menos expressivos gestos de emoção. Acontecia que era superior a qualquer outro indivíduo e estava muito a frente de seu tempo, sendo interpretada erroneamente. O próprio Azdro, certa vez, deu-se conta que não compreendia os motivos que levavam alguém a matar pelo poder e os sentimentos divinais que faziam uma mulher abdicar de sua própria vida para resguardar a do filho. E concluíra que o que nele eram limitações do saber, em Shantara eram convites à reflexão. Aquela bela mariposa de asas rubras seria lembrada no futuro por sua sapiência e pela capacidade de entender os seres humanos e de refletir como ninguém sobre eles. Até lá, muitas páginas seriam escritas e outras mariposas menos preciosas nasceriam.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-6969811891366691457?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/6969811891366691457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=6969811891366691457&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6969811891366691457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6969811891366691457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/06/azdro-e-mariposa-equacoes.html' title='Azdro e a mariposa: Equações'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-8815204805266750455</id><published>2009-05-31T19:25:00.003-03:00</published><updated>2009-12-11T11:48:04.581-02:00</updated><title type='text'>O pêndulo</title><content type='html'>&lt;span&gt;Há dois dias a velha Zora resolveu confessar seus crimes e se entregar às autoridades. Na juventude tivera se dedicado às práticas do hipnotismo e descoberto um dom. Com seu pêndulo reluzente arrancava verdades de quem julgasse vantajoso, obrigando a vítima eleita a contar suas mais ocultas intimidades e revelar seus segredos. Depois cobrava altíssimos valores para manter as confissões roubadas em completo sigilo, oferecendo apenas a própria palavra como garantia do "negócio". Ainda assim, raros eram os que se negavam a pagar o preço de seu silêncio. Cargos políticos, tradições familiares e reputações estavam em jogo. Ninguém desejava arriscar, Zora sabia. Algumas semanas atrás, porém, um fato fê-la refletir sobre seu passado: o ex-prefeito da cidade, hipnotizado e chantageado há sete anos, era um homem feliz, benquisto e respeitado, enquanto ela própria não passava de uma velha obsecada pela vida alheia, que tinha o dinheiro como um pretexto de sua perversão. Não havia construído coisas com sua fortuna. Não havia dado qualquer serventia àquele dinheiro. Mais vantajoso teria sido gritar a quem desejasse ouvir os inúmeros segredos de suas vítimas e oferecer ao mundo menos mentiras. Todo esse tempo fora ela a chantageada. Por esse motivo tivera resolvido confessar seus crimes: de certa forma sentia-se agredida; friamente seduzida e enganada por si mesma.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-8815204805266750455?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/8815204805266750455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=8815204805266750455&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8815204805266750455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8815204805266750455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/05/o-pendulo.html' title='O pêndulo'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-6180588452176639778</id><published>2009-05-30T23:07:00.002-03:00</published><updated>2009-12-11T11:48:28.456-02:00</updated><title type='text'>A maldição sem cor</title><content type='html'>&lt;span&gt;O grão-vizir Mahib era um indivíduo repleto de mistérios. Por um motivo desconhecido, apenas se apresentava publicamente envolto em vestes que o cobriam por inteiro e evitava contatos físicos. Dizia-se que jamais fora visto com o corpo ou o rosto à mostra, que não permitia a presença de criados em seus aposentos íntimos e que de maneira alguma realizava refeições à luz do dia. Apesar disso, era justo e honrado como nenhum outro homem. Certa vez um baile de máscaras foi organizado em sua homenagem e toda gente estava convidada. Na noite marcada, com toda sua pompa e distinção, o grão-vizir foi o primeiro a chegar. Vestia um traje riquíssimo formado por diversas camadas de tecido e adornado por pedras preciosas que o cobriam por completo. A máscara que usava havia sido esculpida em prata e refletia com delicadeza o azulado fulgor noturno que se espalhava pelo deslumbrante salão de festas do reino. Aos poucos os demais convidados em seus respectivos trajes foram chegando e o baile se iniciou. Havia muitas especiarias e a música era a melhor de toda a Arábia. Tudo parecia correr bem. De repente, todas as cortinas do ambiente foram cerradas e, não fosse a luz de um pequeno castiçal, o baile se vestiria na mais plena escuridão. Alguns dos presentes, então, se aproximaram do grão-vizir e o imobilizaram com violência. "Arranquem as vestes desta aberração!" - gritou uma voz masculina dispersa entre a multidão. Como todos os convidados do baile estavam mascarados, não seria possível apontar os responsáveis por aquela ousadia. E como os próprios guardas de Mahib estavam do lado dos curiosos, nada seria feito para impedir sua humilhação. O homem se retorcia e gritava inutilmente enquanto boa parte dos presentes exigia seu desnudamento. Alguns eram contra aquele ato de crueldade e pareciam não saber que o baile tivera sido organizado com aquele propósito, mas não puderam deixar o salão porque as portas estavam todas trancadas. Em meio a desordem, um ruído seco ecoou pelo ambiente. As vestes do grão-vizir tinham sido rasgadas. Diante dos olhos famintos e sedentos dos que ali estavam, a revelação tivera sido feita: embora não parecesse crível, aquele nobre homem era transparente como o ar, invisível como a solidão. Nem seus olhos, nem seus braços e nem seu peito puderam ser vistos. Naquele momento nenhuma palavra ousou ser dita. Nu ao centro do salão, Mahib observou languidamente os presentes e o único que fez foi pedir que o deixassem só. Por mais amaldiçoado que fosse, ainda lhe restava algum amor-próprio.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-6180588452176639778?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/6180588452176639778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=6180588452176639778&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6180588452176639778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6180588452176639778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/05/maldicao-sem-cor.html' title='A maldição sem cor'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3285431613598562144</id><published>2009-05-24T16:56:00.003-03:00</published><updated>2009-12-11T11:48:44.018-02:00</updated><title type='text'>O mercador de pérolas</title><content type='html'>&lt;span&gt;Murilo percebeu pela porta envidraçada do restaurante uma beleza incomum na chuva que começava a cair, mas nada comentou com o colega Tito ou com os industriais espanhóis. Era impressão sua, ele sabia, mas as nuvens carregadas que enegreciam os céus de Madri naquele momento pareciam chorar pérolas, que caíam lindamente e saltitavam silenciosas pelo chão. Como aquele era um jantar de negócios, julgou inadequado dar importância aos delírios de sua imaginação e permaneceu em silêncio. Limitou-se a lembrar os olhos também perolados de sua amada Lucía e os momentos esplêndidos vividos a seu lado. Há dois dias tivera pedido sua mão em casamento, e ela aceitara. A aproximadamente onze mil e quatrocentos quilômetros dali, a devotada Valentina colocava no bolso da camisa xadrez do marido um pequeno envelope perfumado. Algumas horas atrás recebera do médico a confirmação de sua gravidez. Desde então seus olhos brilhavam como duas zircônias lapidadas, sorrindo docemente. Embora Murilo não falasse em filhos, ela acreditava que ficaria encantado ao saber da criança que esperavam. "Já não podemos continuar casados, Valentina. Conheci uma mulher numa de minhas viagens a trabalho, apaixonamo-nos e vamos construir uma vida juntos. Está tudo acabado entre nós." - foi, porém, o que ele lhe disse quando regressou de Madri. A mulher fez apenas deslizar sobre o sofá da sala e chorar com o rosto abaixado. Murilo retornaria à Espanha ainda naquele dia. Subira até o segundo andar da casa para apanhar algumas roupas e encontrara o pequeno envelope perfumado escondido no bolso de sua camisa xadrez. "Quando, por Deus, iria me contar que está esperando um filho meu?" - bradou ainda com o envelope e os exames da esposa em mãos. Ela nada respondeu, apenas levantou a cabeça e continuou chorando. De seus olhos brotavam pérolas, que se derramavam sobre as maçãs do rosto e os lábios. Mas aquilo não passava de outro delírio de imaginação.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3285431613598562144?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3285431613598562144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3285431613598562144&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3285431613598562144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3285431613598562144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/05/o-mercador-de-perolas.html' title='O mercador de pérolas'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-5233539844844955007</id><published>2009-04-26T14:22:00.003-03:00</published><updated>2009-12-11T11:48:59.803-02:00</updated><title type='text'>Sob o mesmo teto</title><content type='html'>&lt;span&gt;&lt;span&gt;Era no porão da casa que as coisas iam parar quando perdiam suas qualidades emocionais. Lá as coisas fugiam da vista diária e pareciam esquecidas para sempre, mortas sem ter morrido. Ocasionalmente Orlando - o dono do porão - refletia e julgava mais adequado desfazer-se definitivamente de alguns dos objetos-cadáveres que jaziam sob as tábuas do assoalho da casa para ganhar algum espaço, mas logo mudava de ideia. Aquele ambiente era uma espécie de arquivo oculto: existia, mas não se fazia ver, e guardava registros de épocas passadas prontos para ressurgir caso fosse necessário. O homem passava dias sem querer lembrar a existência daquele pequeno antro de mágoas, mas tornava a assumi-lo quando precisava livrar-se de algum outro objeto. Fora assim com o vestido negro da esposa falecida e com a caixa de pedras preciosas do avô repressor. Também ocorrera coisa semelhante com a mobília da sala, que deixando de ser elegante, passara a dividir espaço com os outros mortos do porão. Embalagens, lâmpadas queimadas, sapatos, livros, casacos sujos, joias: tudo que já não tivesse serventia afetiva era jogado lá. Os rancores que banhavam o passado não deviam ficar à mostra. Esconder aqueles objetos tão inquietantes era uma maneira de não ouvir o que tinham a dizer, ou simplesmente de não ouvir seu silêncio. Mas haveria de chegar o dia em que todos aqueles cadáveres retornariam à vida, despertando inesperadamente em busca de luz. Neste dia nenhuma atitude seria boa o suficiente para acalmar sua fome de vingança e Orlando estaria entregue ao poder destruidor de suas próprias lembranças. Teria de enfrentar a luminária ensanguentada usada para controlar a violência do pai, a delicada caixinha de música e a carta de amor devolvidas a ele pela primeira namorada, a cadeira de madeira que espetava as costas e também o retrato emoldurado do irmão suicida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-5233539844844955007?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/5233539844844955007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=5233539844844955007&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5233539844844955007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5233539844844955007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/04/sob-o-mesmo-teto.html' title='Sob o mesmo teto'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-2525158440108833200</id><published>2009-04-23T21:47:00.003-03:00</published><updated>2009-12-11T11:49:10.124-02:00</updated><title type='text'>O Mensageiro das Coisas Vindouras</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Um dia, observando a chuva pela janela da cozinha, Tomás foi surpreendido por uma pequena criatura brilhante que lhe suplicava a atenção através da vidraça. O pequeno ser, ele logo constatou, era um homenzinho muito bem trajado e esverdeado cuja pele irradiava uma luz estranhíssima. Seu nome era Heitor e afirmava ser o Mensageiro das Coisas Vindouras. Molhado e trêmulo sobre o peitoril da janela, perguntou gentilmente ao dono da casa se podia lhe falar. Mudo e nitidamente assombrado o homem o apanhou nas mãos e o levou para dentro. À mesa da cozinha, equilibrando-se sobre um caqui maduro, o homenzinho tirou o paletó úmido do corpo, colocou-o aos próprios pés e iniciou uma fala nitidamente embargada. Confuso diante da visita tão incomum daquela criatura, Tomás ouvia estático o que o pequeno homem lhe dizia. "Rogo que faças caso do que te digo. Minhas palavras são puras como um topázio bruto e repletas de intenções boas: se apreciares a tua vida não te exponhas outra vez ao prateado noturno e sob a presença do sol não dês ouvidos a moças de lábios rubros. Corres perigo!" - a fala ecoou modesta pelo ambiente. Arfante e choroso, Heitor apertou o peito com as mãozinhas e olhou para a imensa janela da cozinha desolado. Do bolso da calça tirara um lenço para secar as lágrimas. Era chegada a hora de partir. "A que tipo de perigo estarei me sujeitando se decidir não lhe fazer caso?" - inquiriu-lhe Tomás. "A resposta está em ti. A única garantia que tens de que o que te falo é verdadeiro é minha própria palavra, assim mesmo mostras-te intrigado. No fundo sabes que o tipo ou o tamanho do perigo não importam, porque estimas verdadeiramente tua vida. Ouve a mim, mas ouve principalmente a ti. Não hás de te arrepender."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-2525158440108833200?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/2525158440108833200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=2525158440108833200&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2525158440108833200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2525158440108833200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/04/o-mensageiro-das-coisas-vindouras.html' title='O Mensageiro das Coisas Vindouras'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-364447943823280953</id><published>2009-03-30T21:21:00.003-03:00</published><updated>2010-09-18T11:34:22.052-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sete'/><title type='text'>Sete: Vaidade desvelada</title><content type='html'>&lt;span&gt;A imponente casa da Rua Comandante Alfredo Matias poucas vezes esteve com as portas e janelas fechadas. Dentro dela vivia Enrico, um homem mergulhado em si mesmo que, para enaltecer os enlevos de sua beleza, passara a viver à companhia da vista alheia. Passava horas diante do imenso espelho do quarto, contemplando o lindo rosto que tinha e penteando os sempre negros e brilhantes cabelos. Através das janelas do casarão, todos os dias, dezenas de pessoas buscavam alguma cortesia lúbrica, parando para observar o homem em sua intimidade, naquilo que se podia considerar um singelo gesto de admiração. Quando Enrico se banhava, acariciando suavemente cada trecho de pele de seu corpo, cobria as janelas com um tecido fino e transparente, apenas para evitar incômodos com os falsos moralistas e afastar os muito entusiasmados. Exausto, ao fim das tardes, o homem se estirava nu sobre o sofá da sala e dirigia sorrisos maliciosos e piscadelas amistosas aos seus admiradores, entregando sem receios, a estranhos, as extravagâncias de sua mais crua e delinquente vaidade.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-364447943823280953?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/364447943823280953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=364447943823280953&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/364447943823280953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/364447943823280953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/03/sete-vaidade-desvelada.html' title='Sete: Vaidade desvelada'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-7266020864159143533</id><published>2009-03-22T18:19:00.003-03:00</published><updated>2010-09-18T11:33:20.389-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sete'/><title type='text'>Sete: O baile da cólera</title><content type='html'>&lt;span&gt;O homem foi adentrando o salão com os olhos cinzentos banhados num rubor demoníaco e, possuído por um sentimento destruidor, começou a falar aos convidados da festa: "Enquanto perco horas e horas de meu tempo precioso mantendo esta cidade nos eixos, garantindo a qualidade de suas vidas e calculando as despesas com a saúde e a educação, vocês, corja inútil, regozijam-se até desmaiar. Por minha dedicação peço tão pouco. Apenas que me respeitem como trabalhador honroso e que reconheçam minha honestidade rara comparecendo às reuniões públicas semanais. Mas não há viva alma que se importe com os políticos decentes. Querem saber apenas dos larápios de boa aparência e dos abobalhados que se comunicam em linguagem grosseira. São todos vocês um amontoado de imprestáveis: isso sim! Bando de calhordas!" Por cinco minutos um silêncio cortante foi mantido. Depois disso o prefeito completou seu discurso: "Eu renuncio!"&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-7266020864159143533?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/7266020864159143533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=7266020864159143533&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/7266020864159143533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/7266020864159143533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/03/sete-o-baile-da-colera.html' title='Sete: O baile da cólera'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3859243169285808535</id><published>2009-03-20T23:59:00.002-03:00</published><updated>2009-12-11T11:49:53.060-02:00</updated><title type='text'>Feito com amor</title><content type='html'>&lt;span&gt;A cozinheira Zelina costuma preparar uma sopa de grandiosa fama em seu restaurante. Numa caçarola coloca cenouras, batatas, tomates, folhas de couve, salsa picada, cebola e sal. Ferve os ingredientes em água puríssima. Quando as batatas e as cenouras começam a amolecer, adiciona cubos de carne e pimentões verdes em tiras. Aguarda a carne cozinhar e adiciona o toque final: seis gramas de ouro em pó, peneirado quatro vezes e perfumado com açafrão. O preço da sopa não costuma aparecer no cardápio.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3859243169285808535?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3859243169285808535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3859243169285808535&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3859243169285808535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3859243169285808535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/03/feito-com-amor.html' title='Feito com amor'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-4472058192236957057</id><published>2009-03-19T23:51:00.003-03:00</published><updated>2009-12-11T11:50:00.993-02:00</updated><title type='text'>Humberto</title><content type='html'>&lt;span&gt;No aniversário de oitenta anos da mãe, Humberto descobriu um prazer oculto em si. Durante a festa, quando não havia ninguém por perto, esburacou o delicioso bolo de frutas da aniversariante e nas pequenas cavidades produzidas com o auxílio de uma faca sem ponta, enfiou os besouros secos da coleção da família e os cobriu com glacê. Numa outra ocasião, pingou gotas de vinagre no colírio da prima e assistiu-a chorar de dor através de uma fresta de porta, sorrindo tão inocentemente quanto uma criança ao descobrir o próprio umbigo. Embora seu sadismo lhe proporcionasse momentos de felicidade verdadeira - e suas vítimas, ingênuas, nunca descobrissem seu envolvimento naqueles pequenos e suspeitos desastres cotidianos -, com o tempo, ele próprio percebeu, aquilo fora se descontrolando e passara a lhe dominar. Não era às pessoas que fazia mal, era a si próprio, concluíra. Destruía a alegria alheia para não se deparar com a tristeza que carregava adormecida na alma. Mas estava disposto a mudar. Num dia de verão resolveu buscar ajuda especializada. Foi a um psiquiatra e iniciou um tratamento para livrar-se definitivamente dos desejos malignos que o assombravam. Não obteve, porém, qualquer resultado. Na sexta consulta matou o médico que o atendia apenas para vê-lo dar seus últimos suspiros, umedecido pelo próprio sangue.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-4472058192236957057?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/4472058192236957057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=4472058192236957057&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4472058192236957057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4472058192236957057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/03/humberto.html' title='Humberto'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1926667939369294629</id><published>2009-03-07T23:20:00.004-03:00</published><updated>2011-04-21T00:49:10.024-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Azdro e a mariposa'/><title type='text'>Azdro e a mariposa: O irmão do rei</title><content type='html'>&lt;span&gt;Um dia, para assombro geral, o irmão mais velho do rei de Rubília, Cadmino, retornou ao reino e reclamou a coroa. Na sucessão, ele deveria se tornar o rei. Isso se não tivesse desaparecido na véspera da coroação, o que tivera obrigado o segundo filho mais velho da família a assumir o poder. Acreditava-se que Cadmino tivera fugido por ter-se considerado incapaz de arcar com as obrigações e responsabilidades do trono. Trinta anos haviam se passado desde então. Ao ver-se diante do irmão desaparecido, o rei ordenou que um banquete em sua recepção fosse preparado e que os jardins do palácio fossem reservados para uma conversa familiar. Após tanto tempo, Cadmino parecia outra pessoa. Estava frio e distante, e demonstrava esquecimento sobre diversos fatos do passado. Quando uma tempestade escureceu o céu de Rubília, o irmão do rei contou que regressara disposto a assumir a coroa e a recuperar todo o tempo perdido. Surpreso com a revelação de Cadmino, o rei refletiu por dias e concluiu que para manter o seu reino livre de injustiças o melhor era entregar o trono ao irmão, que o tinha por direito. Apesar disso, seus súditos não compreenderam a necessidade daquele reparo monárquico, uma vez que Rubília estava sendo impecavelmente governada. Shantara, a mariposa pensante, passou a conclamar pelas ruas a permanência do rei coroado sem esconder a antipatia nutrida por Cadmino. Nada, porém, fez com que o rei mudasse de ideia. Então, no dia da coroação, o príncipe Azdro percebeu algo de estranho no homem que em poucos momentos tornar-se-ia representante daquele reino: ele era destro, segurava o cálice de vinho com a mão direita, mas seu tio, conforme diziam os familiares, era canhoto. O impostor foi desmascarado no mesmo momento. Mais tarde, por meio de uma série de experimentos e análises, Shantara concluiu que o homem fazia uso de uma poção metamorfoseadora capaz de reproduzir com perfeição a fisionomia alheia e que, em algumas horas, tornaria a se apresentar sob sua aparência original. Nem tudo, entretanto, pôde ser resolvido. Por ironia do destino o falso irmão do rei escapou, e sua identidade se tornou um grandioso mistério.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1926667939369294629?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1926667939369294629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1926667939369294629&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1926667939369294629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1926667939369294629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/03/azdro-e-mariposa-o-irmao-do-rei.html' title='Azdro e a mariposa: O irmão do rei'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1871108172438298159</id><published>2009-03-06T23:48:00.004-03:00</published><updated>2010-09-18T11:32:56.374-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sete'/><title type='text'>Sete: Cântico à ociosidade</title><content type='html'>&lt;span&gt;A mulher vivia a queixar-se da dureza da vida, da atribulação cotidiana, mas nunca ousara dedicar-se a um ofício. Sustentada pelo marido Onofre, Betina não precisava macular sua bela face com incômodos da vida comum. Era uma mulher que passava os dias a se refestelar sobre os sofás e as camas da casa, e a se enovelar nas sedas e nos veludos das colchas e cortinas. Embriagada pelo perfume selvagem de seu amante (um menino de vinte e um anos), costumava amarrotar dúzias e dúzias de lençóis, entregando-se ardentemente aos intensos e viris delírios do rapaz. Quando a tarde estava por terminar, Betina supervisionava os empregados na reordenação da casa, antes do marido retornar do trabalho, e evitava comentar a eles sobre seu dia. Como eram extremamente profissionais e estavam habituados com o cotidiano voluptuoso da mulher, jamais deixavam escapar qualquer palavra a respeito. No início o rapaz que proporcionava à Betina manhãs e tardes inenarráveis, o jovem Inácio, filho do jardineiro Elias, cobrava por seus serviços. Com o tempo, porém, a relação profissional estabelecida entre eles foi sendo deixada de lado. Por esse motivo o menino tivera conquistado a simpatia daquela mulher, que apesar de tudo, não tinha maldades na alma: pensava que Onofre devia pagar apenas o justo para tê-la a seu lado, e nenhum centavo a mais. Quando o marido chegava do trabalho ela ainda estava deitada, e assim ficava até a hora do jantar, quando descia as escadas do casarão trajando a camisola vermelha de cetim presenteada pelo amante e comia com satisfação.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1871108172438298159?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1871108172438298159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1871108172438298159&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1871108172438298159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1871108172438298159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/03/sete-cantico-ociosidade.html' title='Sete: Cântico à ociosidade'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-6192433857453455751</id><published>2009-03-01T22:18:00.006-03:00</published><updated>2010-12-04T19:00:55.801-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Azdro e a mariposa'/><title type='text'>Azdro e a mariposa: O presente de Garmeno</title><content type='html'>&lt;span&gt;O príncipe Azdro, segundo filho do rei de Rubília, ao completar quinze anos recebeu como presente de seu tio-avô Garmeno, uma preciosíssima mariposa-gigante que, além de apresentar asas da cor do sangue capazes de hipnotizar, podia pensar. Um dia ela própria revelou ao príncipe que se chamava Shantara e que, modestamente, desejava ofertar a ele sua amizade e lealdade. Lisonjeado com a pureza do gesto, o menino reverenciou a criatura e lhe ofereceu o mesmo em troca. Tornaram-se os amigos mais devotados de que se teve notícia. Enquanto Shantara, com sua sapiência fora do comum, documentava estupendas descobertas científicas, Azdro colhia figos maduros e os levava para ela. Quando o príncipe precisou viajar longas distâncias, até o reino de Felpitso, foi nas costas de Shantara que ele montou. Aprenderam que a amizade verdadeira consistia, principalmente, em oferecer a mão ao outro. Ao completar vinte e cinco anos, o príncipe fez questão de brindar o lindo sentimento que nutria pela amiga mariposa ao lado do tio-avô Garmeno. Era o momento de agradecer por aquele presente que o tivera feito amadurecer e permitido compreender melhor os mistérios da vida. Shantara, como era de se esperar, parou algumas vezes para registrar dados sobre as plantas e flores encontradas no percurso da viagem, e Azdro lhe buscou os figos mais bonitos. Ao vê-los, o velho Garmeno morreu doce e serenamente. Por certo realizado.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-6192433857453455751?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/6192433857453455751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=6192433857453455751&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6192433857453455751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/6192433857453455751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/03/azdro-e-mariposa-o-presente-de-garmeno.html' title='Azdro e a mariposa: O presente de Garmeno'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-4881235232527145148</id><published>2009-02-21T15:14:00.003-03:00</published><updated>2009-12-11T11:51:09.731-02:00</updated><title type='text'>O beijo de despedida</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;&lt;span&gt;Os cristais e as louças na estante da cozinha tilintavam suavemente, embalados pelo chão da casa que tremia com discrição e pelos ares que começavam a se adensar de maneira sinistra. À mesa da sala, Miguel concluía um relatório longo e confuso. Aguardava com devoção a chegada da sua Mulher de Negro. Hipnotizado diante da tela do computador ele demorou a perceber a campainha soar oportunamente. Do lado de fora da casa estava aquela que tinha o poder de trazer para suas tardes insípidas e apáticas, o sabor embriagante da vida. Estranhamente, a Mulher de Negro, cujos lábios eram vermelhos como rubi lapidado, jamais falava coisa alguma, e nunca levantava os olhos, mas, ainda assim, despertava grande afeição no rapaz. Seus gestos misteriosos lhe fascinavam grandiosamente e o seu perfume nunca o cansava. Tudo ficava melhor e mais suave quando ela vinha lhe visitar. Naquele dia a Mulher de Negro, talvez sem escolhas, dirigiu-lhe a palavra pela primeira vez. "O seu dia chegou, meu bom amigo." - disse-lhe em tom entristecido. De pronto ele não quis compreender, embora soubesse que mais cedo ou mais tarde aquilo aconteceria, pois não havia como escapar do destino. Tivera vivido momentos repletos de pureza e amizade ao lado daquela mulher que nunca antes houvera esboçado qualquer tipo de emoção. Diferentemente dos que viviam ao redor dele, na família e no trabalho, a Mulher de Negro sabia ouvir e respeitar. Não era de sua natureza agir com egoísmo ou impaciência. Com toda a sua delicadeza ela sabia que as pessoas precisavam de tempo para se entender e se conformar de si próprias. Agora que estava diante de Miguel, humana como qualquer outra mulher, e esplêndida como nunca, nada mais podia ser feito. Aquele era o fim de um amor jamais começado. Com o rosto manchado de lágrimas, ela voltou seus olhos castanhos para o rapaz e o beijou na boca. Ninguém jamais saberia, mas naquele momento a Mulher de Negro havia quebrado todos os protocolos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-4881235232527145148?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/4881235232527145148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=4881235232527145148&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4881235232527145148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4881235232527145148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/02/o-beijo-de-despedida.html' title='O beijo de despedida'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-5895877314360293306</id><published>2009-02-15T14:53:00.002-03:00</published><updated>2009-12-11T11:51:20.529-02:00</updated><title type='text'>A criatura que andava sob o luar crescente</title><content type='html'>&lt;span&gt;Às luas crescentes era mais conveniente manter os pés dentro de casa. Atrás das vidraças das residências de todos os tipos, numa mistura de medo e lascívia, as pessoas assistiam mudas ao desfile da criatura pelas ruas. Sua pele muito linda e acetinada convidava os olhos e se cobria e descobria envolta em rasgos de pano negro e longo. A criatura andrógina estava fadada à maldição da monstruosidade porque acreditava na superstição tola que lhe impingiam e todos os demais estavam fadados ao crime da hipocrisia porque eram supersticiosos sem, na realidade, ser.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-5895877314360293306?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/5895877314360293306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=5895877314360293306&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5895877314360293306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/5895877314360293306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/02/criatura-que-andava-sob-o-luar.html' title='A criatura que andava sob o luar crescente'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1346757544710018528</id><published>2009-01-31T23:38:00.002-02:00</published><updated>2009-12-11T11:51:29.528-02:00</updated><title type='text'>A ver navios</title><content type='html'>&lt;span&gt;Esquecida como era, Matilda desceu a trêmula rampa do transatlântico a fim de apanhar uma maleta de couro vermelha deixada inadvertidamente aos pés da irmã Carmem. Prolongou-se demais no falatório. Ao despedir-se da família pela terceira vez, percebeu que o imenso navio já tinha partido, e que, sem cerimônias, dançava para ela o seu pomposo balé aquático.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1346757544710018528?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1346757544710018528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1346757544710018528&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1346757544710018528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1346757544710018528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/01/ver-navios.html' title='A ver navios'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-7511250594231999348</id><published>2009-01-30T23:22:00.002-02:00</published><updated>2009-12-11T11:51:38.879-02:00</updated><title type='text'>Segredos de família</title><content type='html'>&lt;span&gt;Estava escrito no testamento que os bens do velho Vicentino Branco ficariam para a cozinheira Dora, a moça que há cinco anos trabalhava no casarão da família e que por todos, exceto pelo morto, era maltratada. Apanhados de surpresa pela decisão do patriarca falecido, filhos e netos preferiram calar-se, desejando fugir daquela situação embaraçosa com alguma dignidade. No mesmo dia reuniram-se à casa do filho mais velho a fim de decidir que atitude tomariam em relação ao tesouro recém-perdido. Devia haver algum meio legal de invalidar o documento e desfazer aquela loucura toda, pensaram. Uma simples serviçal não podia lhes tomar o que era de direito. A moça que viera assistir à leitura da herança como uma curiosa qualquer, após receber a notícia de que era a única mencionada no testamento, saíra mais comentada e estimada que o "Menino com Cachimbo" de Picasso. Nem ela podia prever que o homem lhe legaria todo o seu dinheiro. E, mesmo que sem qualquer maledicência inicial, assim que ficou conhecendo as reais dimensões da fortuna do velho Vicentino, começou a imaginar as possibilidades de vingança que aquela inesperada ascensão social proporcionavam. Quem daquela família ordinária lhe tornaria a agredir com grosserias? Quem teria a coragem de lhe continuar negando um simples copo d'água? Quem lhe ousaria levantar a voz outra vez? Para Dora as coisas tinham mudado muito. A criança que esperava no ventre, inclusive, poderia ser descartada. Agora que a fortuna da família Branco era dela, aquele pequeno herdeiro já não tinha qualquer utilidade.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-7511250594231999348?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/7511250594231999348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=7511250594231999348&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/7511250594231999348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/7511250594231999348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/01/segredos-de-familia.html' title='Segredos de família'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-2053386602782823153</id><published>2009-01-18T14:52:00.003-02:00</published><updated>2010-09-18T11:32:34.741-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sete'/><title type='text'>Sete: A mulher que tinha fome</title><content type='html'>&lt;span&gt;Rita nunca respondera positivamente aos galanteios do carregador de mudanças Otacílio dos Reis, mas ficava desesperada quando via que estava para perder o amor do homem. Fazia parte de sua natureza querer tudo para si, engolir tudo que lhe aparecesse pela frente sem degustar coisa nenhuma. Assim fora com todos os seus namorados e pretendentes e, também, com os empregos que arranjava e com as oportunidades diversas que lhe apareciam. Mesmo que algo não lhe interessasse, julgava necessário manter a coisa sob seu domínio, a impedir que outros o fizessem. Otacílio era um indivíduo bom e nutria por Rita os melhores sentimentos. Para ela, porém, o homem não passava de um "sem posses" bem-apessoado. E parecia-lhe mais razoável fazer descaso do amor que ele lhe sentia, que assinar sua carta da alforria e permitir-lhe a felicidade.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-2053386602782823153?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/2053386602782823153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=2053386602782823153&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2053386602782823153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2053386602782823153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/01/sete-mulher-que-tinha-fome.html' title='Sete: A mulher que tinha fome'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-3229989694111596277</id><published>2009-01-14T17:53:00.002-02:00</published><updated>2009-12-11T11:52:11.765-02:00</updated><title type='text'>Beleza aniquilada</title><content type='html'>&lt;span&gt;Para conservar intocada a juventude que tinha, Beatriz fazia uso de um pó prateado misterioso encontrado nas asas de mariposas raríssimas, capaz de assegurar a beleza infinita da pele e a vitalidade dos órgãos humanos. Todas as noites, num misto de delírio e realidade, a moça se arrastava para o interior da mata que ladeava sua casa, escolhia as mariposas mais vistosas e as matava para a colheita do seu elixir da juventude eterna. Já não podia viver sem aquele pó diabólico, ela sabia, mas pouco lhe importava se para ter-se sempre jovem era necessário mergulhar em vícios. As mariposas, sempre tão generosas na oferta da beleza insuperável, porém, um dia começaram a cair em número. Numa busca insaciável pela perfeição, Beatriz foi apanhando tantas mariposas quanto pôde sem perceber que em pouco tempo provocaria a extinção daquela espécie rara. Quando em poucos meses já nenhuma mariposa restava, as coisas pareceram se acertar. Aquelas lindas criaturas de asas prateadas tinham desaparecido, mas carregavam consigo a juventude de Beatriz.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-3229989694111596277?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/3229989694111596277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=3229989694111596277&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3229989694111596277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/3229989694111596277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/01/beleza-aniquilada.html' title='Beleza aniquilada'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-859088897940196744</id><published>2009-01-11T16:22:00.004-02:00</published><updated>2009-12-11T11:52:20.017-02:00</updated><title type='text'>Aos porcos o que é dos porcos</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;A despeito da incontestável senilidade recaída sobre a cara e o corpo, a mulher que morava no número mil e treze insistia em agir como criança. Era impertinente e manhosa e se deliciava fazendo parecer que os que estivessem à sua volta eram os verdadeiros imaturos. Adorava refestelar-se por aí acompanhada de gente medíocre e tola, disposta a aplaudir seus hábitos ridículos e a saciar suas loucuras infantis. Aqueles seios obtusos que tinha - seios de criatura oca e inútil - viviam à mostra em decotes constrangedores, balançando pateticamente dentro de roupas de menina menstruada. Eram, pura e simplesmente, um ardil imundo das suas insinuações repletas de ingenuidade fingida e vulgaridade. Em seus olhos opacos e amarelos era possível ver refletidos o prazer pelo ordinário, o amor pelo sujo, a predileção pelos homens brutos de braços volumosos e a credulidade de que em si residia uma beleza venusiana. Era ela uma ofensa a todas as belezas e delicadezas existentes no mundo, uma cicatriz na face da Terra. Achava-se primorosa, respeitabilíssima, uma mente pouco compreendida. Como um pássaro aprisionado, às vezes, parava para lamentos singelos, para tristezas suaves ou para renovar-se em sonos infindáveis. Antes de dormir, respirando o odor mofado de sua casa, jogava-se sobre a cama úmida e ficava pensando nos amigos que cria ter. Embora se esforçasse em ofertar seus pensamentos a alguém que não fosse ela própria, jamais tivera a capacidade de perceber a alma alheia e suas nuances num gesto singelo de empatia. Era egoísta e pretensiosa demais para isso. E diferente de outros tantos seres desgraçados que tudo maculam a seu redor, era ela uma inconsciente de sua real situação. Nunca, numa noite de insônia qualquer, chegaria à conclusão de que era um ser pavoroso. Simplesmente não lhe ocorria a hipótese de ser repugnada por alguém.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-859088897940196744?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/859088897940196744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=859088897940196744&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/859088897940196744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/859088897940196744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2009/01/aos-porcos-o-que-e-dos-porcos.html' title='Aos porcos o que é dos porcos'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-8394123304352737794</id><published>2008-12-22T17:59:00.005-02:00</published><updated>2011-01-28T23:21:32.295-02:00</updated><title type='text'>Dolmadakia me rizi</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Do primo rico, Manfredo ganhou uma viagem à Grécia. Na mala colocaria apenas o essencial, porque era muito simplório. Entre uma coisa e outra levaria algumas roupas, seus óculos para leitura e um volume sobre a culinária tradicional grega. Embora não conhecesse com aprofundamentos os sabores mediterrâneos, e não tivesse lido por completo uma única página daquele livro imponente, pretendia obter algum aprendizado durante a longa jornada aérea que o levaria até a Europa. Como nunca havia viajado de avião, tudo haveria de ser estupendo. E nem mesmo as intrigas familiares seriam capazes de destruir as belezas de sua viagem. Estava farto de dar ouvidos a rumores que diziam que o primo Carmo só lhe dava presentes para calá-lo; estava farto da gente a intrometer-se em sua vida, e a falar e a pensar por ele. Não via crime na riqueza do primo. Sua alma, talvez excessivamente pura, jamais fora capaz de enxergar malícias nele. Eram como irmãos. Manfredo sempre o defendia quando ouvia alguém comentando sobre o maldito poço de petróleo encontrado em São Inácio. Se pudesse voltaria no tempo e se recusaria a vender-lhe aquela casa velha, apenas para provar que, de uma maneira ou de outra, o primo enriqueceria. Ninguém tinha conhecimento do petróleo escondido sob o piso da cozinha daquele casarão interiorano, ele dizia. Muito menos Carmo. Os vizinhos e familiares ocasionalmente se inconformavam com a maneira ingênua com que Manfredo encarava a vida. Para eles, a fortuna conseguida por Carmo com a descoberta do poço de petróleo devia ser dividida igualmente entre os dois primos. Aquilo deixava Manfredo profundamente magoado. "Ninguém quer realmente ouvir o que penso sobre isso tudo." - queixava-se lacrimoso. "Não sou infeliz. Ganho roupas cujo preço é mais elevado que o valor da mobília de meu quarto e perfumes cujas fragrâncias jamais seria capaz de sentir por não poder comprá-los. Meu primo Carmo sempre foi obstinado e trabalhou muito para conseguir uma vida estável e decente. Cobre-me de presentes porque me tem muito apreço, porque tem o coração generoso". Em alguns dias embarcará rumo à Grécia. Da janela do avião acenará para o primo com gratidão, depois abrirá o livro de culinária grega e dormirá antes de terminar de ler qualquer página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: dolmadakia me rizi é uma das tradicionais receitas da culinária grega cuja leitura Manfredo jamais conseguiu concluir. São charutos de folhas de uva recheados com arroz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-8394123304352737794?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/8394123304352737794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=8394123304352737794&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8394123304352737794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8394123304352737794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2008/12/dolmadakia-me-rizi.html' title='Dolmadakia me rizi'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-902329297962286165</id><published>2008-12-20T20:32:00.003-02:00</published><updated>2009-12-11T11:52:36.685-02:00</updated><title type='text'>Diabo a quatro</title><content type='html'>&lt;span&gt;Acompanhado de meia dúzia de assistentes, o Diabo entrou afoito numa das lojas mais caras da Júlio Alcântara. Enfiado num terno Armani e altivo sobre saltos altos da Gucci, ele exigiu que as portas do estabelecimento fossem fechadas a fim de evitar que alguma criatura comum lhe maculasse a visão. Comprou mais de setenta peças e fez questão de pagar em dinheiro. Nauseava-lhe assinar cheques e encostar nos botões das máquinas de cartão de crédito.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-902329297962286165?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/902329297962286165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=902329297962286165&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/902329297962286165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/902329297962286165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2008/12/diabo-quatro.html' title='Diabo a quatro'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1247544696937558425</id><published>2008-12-09T19:56:00.004-02:00</published><updated>2010-09-18T11:28:06.387-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os condões da feitiçaria moderna'/><title type='text'>Os condões da feitiçaria moderna: Riquezas e cursos de tango</title><content type='html'>&lt;span&gt;No mundo mágico é comum e prevista em lei a prática da "multiplicação monetária", que consiste em transformar uma nota de cem em dezessete notas de cem, por exemplo, ou em vinte, ou em trinta, variando de acordo com as necessidades de cada um. Bruxos, ao contrário da gente sem poderes mágicos, não possuem ambições ou delírios dinheiristas. Muitos, inclusive, preferem viver uma vida modesta e até, miserável, a ter que se sujeitar às magias de enriquecimento. O que acontece é que, apesar de muito difundidos, os feitiços que fazem o dinheiro se multiplicar são demasiadamente demorados e chatos, e exigem uma grande dose de perícia dos feiticeiros, já que, nesses casos, qualquer equívoco nos procedimentos mágicos pode ser fatal. Mas seguem felizes em suas vidas: uns paupérrimos, outros muito bem abastados. A economia bruxa dos dias atuais, porém, só se enfraquece com os que ostentam grandes riquezas. Os feiticeiros com boas reservas monetárias quase sempre preferem fazer suas compras em estabelecimentos de gente não-mágica, ocasionando, todos os anos, o fechamento de inúmeros pequenos comércios voltados às artes ocultas. Afundados em dívidas, os proprietários destas pequenas lojas mágicas não veem outra saída senão declarar falência. Como as encomendas de ingredientes para feitiços são raridades nos dias de hoje, cada pedido é celebrado com fogos de artifício e banquetes, mas nenhuma grande manifestação comemorativa foi registrada desde 1985. De acordo com pesquisas, a economia dos bruxos modernos só não entrou em total colapso graças a pequenos segmentos de mercado como o imobiliário e o de cursos de culinária rápida, artesanato e tango.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1247544696937558425?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1247544696937558425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1247544696937558425&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1247544696937558425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1247544696937558425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2008/12/os-condoes-da-feiticaria-moderna.html' title='Os condões da feitiçaria moderna: Riquezas e cursos de tango'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-8748144171038870107</id><published>2008-12-08T21:58:00.004-02:00</published><updated>2010-09-18T11:32:13.277-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sete'/><title type='text'>Sete: Inveja refletida</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;A mulher da casa noventa e oito, que passava os dias a admirar seu reflexo no espelho, era louca. Nutria uma paixão narcísica por sua imagem e sentia inveja da pele, e dos olhos, e dos lábios vermelho-sangue, e das sobrancelhas bem desenhadas que contemplava. Amava-se, mas não tinha a consciência de que aquela que via refletida nos espelhos era ela própria. Era uma enamorada de si mesma que se abominava mortalmente, que se destruía em olhares. Desejava ter as maçãs do rosto tão rosadas e os cílios tão longos e negros como os que espiava com obsessão, amando e odiando aquelas linhas tão delicadas e naturais na mesma proporção. A mente enferma da mulher não conseguia apreender sua imagem refletida em espelhos, e o resultado disso era uma confusão psíquica das mais severas. Tinha de se tratar com remédios fortíssimos, mas não o fazia para não se assumir inferior à mulher do espelho, sempre tão saudável e bela. E nunca saía de casa, para não perdê-la de vista. E nunca recebia visitas, para não desagradá-la. E nunca deixava a paixão que sentia por ela transparecer, para não engrandecê-la.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-8748144171038870107?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/8748144171038870107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=8748144171038870107&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8748144171038870107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8748144171038870107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2008/12/sete-inveja-refletida.html' title='Sete: Inveja refletida'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-627490413449951099</id><published>2008-12-06T17:10:00.007-02:00</published><updated>2011-04-21T00:55:27.768-03:00</updated><title type='text'>A morte do imortal doutor Clóvis Moura da Fonseca</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Agora que o homem se encontrava deitado entre crisântemos brancos, num caixão de madeira lustrosa, sua ciência parecia mais ridícula e equivocada que nunca. Quando vivo, o doutor Clóvis Moura da Fonseca defendeu a ideia de que, por meio de um medicamento à base de substâncias raras e prata em pó, seria possível ludibriar os derradeiros mecanismos da morte e manter-se eternamente vivo numa outra dimensão, carregando corpo e alma. Ele próprio tinha se sujeitado ao tratamento com o medicamento, e agora estava morto, como um comum, como alguém que tivera perdido uma vida em vão dando importância a uma obsessão tola. No dia anterior, quando a empregada da casa levantou para preparar o desjejum, encontrou o cientista amolecido em frente à televisão ligada. Morrera dormindo e seu corpo não se deslocara para dimensão alguma. A esposa, quando viu o marido sem vida, sequer estremeceu. Levantou o telefone do gancho, centrada, e chamou uma amiga da família para ajudá-la com os preparativos do velório e do enterro. Queria devolver a Clóvis um pouco da dignidade perdida em anos de pesquisas desvairadas. Escolheu, então, a melhor roupa do homem e a dobrou com desgosto. O carro funerário logo chegaria; não havia mais nada a fazer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-627490413449951099?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/627490413449951099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=627490413449951099&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/627490413449951099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/627490413449951099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2008/12/morte-do-imortal-doutor-clovis-moura-da.html' title='A morte do imortal doutor Clóvis Moura da Fonseca'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-2543499945399150411</id><published>2008-11-29T21:24:00.003-02:00</published><updated>2009-12-11T11:53:42.471-02:00</updated><title type='text'>Fim do ato</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Há algumas semanas Almerinda pôs na cabeça que sua casa precisava de cortinas novas. Como ela e o marido estavam fazendo economias, pensou que aquela pudesse ser a oportunidade ideal para utilizar um velho tecido azul esquecido há anos no porão e relembrar os bons tempos em que costurava. Parecia-lhe ótimo mudar a aparência da casa sem gastos. Estava entusiasmada. Apanhou no porão o tecido embrulhado em papel que descansava sobre uma estante empoeirada e foi até o quarto à procura dos antigos utensílios de costura. À varanda trouxe, além do embrulho em papel pardo, agulhas, fitas para medida, linhas de costura e sua antiga tesoura. Aquele tecido azul-real era tão antigo quanto a pitangueira do quintal, mas havia de servir. Lembrava que o tinha visto desembrulhado uma única vez, na infância, quando pela fresta da porta de um dos cômodos da casa, espiou-o sendo dobrado pela avó. A mulher morreu poucos dias depois, e deixou o pacote como presente para a única filha, mas esta jamais demonstrara interesse em abri-lo. Então, como um personagem histórico aquele nobre tecido azul fora imortalizado, calado e imobilizado pelo tempo. E apesar dos anos e do terrível cheiro de mofo, o azul pareceu lindo como sempre, ou até mais. Não havia manchas ou sinais de deterioração, mas havia algo estranho. Almerinda percebeu alguns pequenos volumes no meio do bloco de tecido e pôs-se a desdobrá-lo. Havia coisas escondidas nas dobras do pano. Encontrou pertences da avó dedicados à mãe: um retrato quando jovem, um disco do compositor Henry Mancini, uma flor ressecada e desbotada e uma carta. Nela leu coisas lindas que só uma mãe poderia dizer a um filho e se entristeceu ao perceber que aquilo tudo tivera vindo à tona tarde demais. Como a mãe também tivera morrido e nenhum de seus irmãos atribuiria àqueles objetos o devido valor, Almerinda nomeou-se a legítima herdeira daquele pequeno tesouro. Chorou. As cortinas podiam esperar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-2543499945399150411?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/2543499945399150411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=2543499945399150411&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2543499945399150411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/2543499945399150411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2008/11/fim-do-ato.html' title='Fim do ato'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-4183367465615245579</id><published>2008-11-16T21:25:00.002-02:00</published><updated>2009-12-11T11:53:51.122-02:00</updated><title type='text'>Fagia</title><content type='html'>&lt;span&gt;Helena desejava com tanto desespero a vida de Modesto que por vezes seus desejos se velavam em crime. O amor que tinha por ele era um amor doentio e equivocado. Queria arrancar-lhe a alma e com ela fazer vestes para usar todos os dias, queria extirpar-lhe os sentimentos para depois engoli-los todos e evitar que desejasse outra mulher. No fundo Helena era tão criminosa e hedionda quanto uma rosa vermelha, mas mesmo ela desconhecia esse fato.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-4183367465615245579?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/4183367465615245579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=4183367465615245579&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4183367465615245579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4183367465615245579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2008/11/fagia.html' title='Fagia'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-1954592100836029087</id><published>2008-11-09T17:38:00.005-02:00</published><updated>2009-12-11T11:54:31.777-02:00</updated><title type='text'>Bodas de gipso</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Assim que terminou o banho, Evaristo desceu as escadas da casa para jantar com a esposa. Ouviu vozes de pessoas e risos. Pensava que a comemoração seria apenas entre eles, algo íntimo, mas encontrou à mesa algumas pessoas estranhas, provavelmente amigos da mulher. Ia chamá-la discretamente para perguntar sobre os convidados, mas receou criar uma situação desconfortável ante os presentes. Apenas olhou para a sua Sílvia, situada numa das extremidades da mesa, e sorriu amorosamente. Antes de sentar-se, porém, fez um cumprimento genérico e dedicou algumas palavras à mulher. Como os convidados pareciam bastante à vontade e sorriam e conversavam entre si, o homem não viu razão para maiores formalidades e se posicionou confortavelmente à outra extremidade da mesa. Sílvia estava resplandecente e feliz, ele sabia. Os olhos dela cintilavam delicados, a noite estava fresca e doce, e o jantar, delicioso. Não podia prever que estar à companhia de presentes desconhecidos em plenas bodas seria tão agradável. Estava maravilhado. Mais tarde, ao fim do jantar, subiu as escadas para apanhar o presente que havia comprado para a esposa e quando retornou, encontrou-a sozinha à mesa. "Os convidados já se foram, Sílvia?" - perguntou. A mulher pareceu confusa: "De quem você está falando? Ninguém foi convidado."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-1954592100836029087?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/1954592100836029087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=1954592100836029087&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1954592100836029087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/1954592100836029087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2008/11/bodas-de-gipso.html' title='Bodas de gipso'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-734346185026887094</id><published>2008-11-08T14:19:00.003-02:00</published><updated>2009-12-11T11:54:40.812-02:00</updated><title type='text'>Vestida de noiva</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Na hora marcada, a senhorita Libélula foi até a maison de madame Besouro para fazer os últimos ajustes em seu esvoaçante vestido de noiva. A cintura do traje precisara ser apertada sete vezes para se adequar ao corpo esguio de Libélula que ficava mais fino e frágil a cada dia. Refinada e discreta como era, jamais despejaria por aí as verdades sobre seu lastimável estado de saúde. Estava à beira da morte, mas parecia tão racional, centrada e elegante como sempre. Tinha tantas tarefas importantes a realizar antes do descanso eterno que simplesmente se recusava a perder tempo com desvarios e lágrimas. Em raríssimas ocasiões flagrava-se a refletir melancólica sobre seu fim ou a queixar-se da repulsiva companhia de seu ancião e deplorável noivo, o conde Gafanhoto, embora tivesse motivos de sobra para transformar sua vida num verdadeiro martírio. Seu arranjado futuro cônjuge era o culpado por seu estado de vida tão delicado. Para evitar que o velho desejasse tê-la para si, fizera uso de um óleo aparentemente inofensivo cujo efeito era reduzir drasticamente a produção do feromônio que nele despertaria desejos. A preservação de sua castidade, porém, custara-lhe caro: muito embora o óleo fosse altamente eficaz, soube-se que era na mesma proporção mortal. Provocava reações degenerativas e irreversíveis que destruíam os órgãos vorazmente. Prescrita às escuras por um porta-voz-ajudante da sinistra boticária Mariposa, a substância tornava-se venenosa se usada continuamente. Durante o letal tratamento, o organismo de Libélula fora absorvendo o óleo e começara a se petrificar, e a morrer. E apesar de não ter qualquer conhecimento aprofundado em farmacologia ou medicina, ela todos os dias percebia claros sinais da aproximação da morte. Madame Besouro, a modista, não podia entender como sua cliente mais bela tivera emagrecido tanto em tão pouco tempo e implorara para que, a todo custo evitasse perder mais peso, caso contrário casar-se-ia parecendo embrulhada numa horrenda lona de circo. Naquele dia, quando a viu mais magra que nunca, quase desmaiou. Caiu-se sobre uma cadeira e ainda assombrada pela imagem cadavérica de Libélula, repreendeu-a com o olhar. O casamento aconteceria em dois dias, mas Besouro temia que mais reformas precisassem ser feitas no vestido até lá. No grande dia, porém, a noiva surgiu resplandecente, ostentando uma aparência física mais sadia conseguida com sopas de espinafre e alguns cálices da mais pura geleia real. Ainda assim, a boa madame Besouro continuava sem entender o que de fato estava acontecendo com a saúde da jovem e tampouco os motivos que a levavam a prosseguir com aquele casamento. O conde Gafanhoto era um velho sórdido e torpe que carregava nas mãos a situação financeira familiar de Libélula e que conseguira sua mão em noivado graças a chantagens e jogos de poder desprezíveis. Quando a cerimônia matrimonial estava em seu auge, então, a modista e todos os convidados foram surpreendidos por um discurso revelador da esquelética nubente. As verdades sobre aquele matrimônio forjado e as circunstâncias que a levaram a ficar tão debilitada vieram à tona. Em minutos estaria morta, por isso não se importou em expor-se daquela maneira. Era a última chance que tinha para destruir a vida do asqueroso Gafanhoto. Não podia perdê-la de maneira alguma.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-734346185026887094?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/734346185026887094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=734346185026887094&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/734346185026887094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/734346185026887094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2008/11/vestida-de-noiva.html' title='Vestida de noiva'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-8138177474571318039</id><published>2008-10-24T19:06:00.003-02:00</published><updated>2010-09-18T11:31:52.131-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sete'/><title type='text'>Sete: Alma avara</title><content type='html'>&lt;span&gt;Nenhuma instituição financeira era digna de sua confiança. Era certo para ele que, uma vez confiado num banco, cedo ou tarde um ordinário e asqueroso qualquer resvalaria sobre seu capital e, "sem intenções", afanaria para si uma pequena quantia, alegando cobrar taxas corriqueiras. Sua riqueza era importante demais para ser guardada num lugar tão desprotegido e criminoso quanto um banco. Era tão imensa e brilhante quanto o sol. E nem ele mesmo sabia quanto possuía. Não contava. Tinha medo do sentimento de castração que a detenção de um dado tão limitante quanto esse pudesse gerar. Sem precisões numéricas possuía uma fortuna verdadeiramente infinita, um tesouro financeiro mais valioso do que o imaginado pela mais desgraçada e ingênua criatura terrestre. Para proteger-se, começou a engolir o capital que tinha. Parecia excêntrico e assombroso, mas a verdade estava clara como diamante: depois da digestão não havia quem pudesse arrancar dele sua fortuna.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-8138177474571318039?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/8138177474571318039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=8138177474571318039&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8138177474571318039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/8138177474571318039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2008/10/sete-alma-avara.html' title='Sete: Alma avara'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1987849671813320710.post-4546452792165725875</id><published>2008-10-18T15:54:00.003-03:00</published><updated>2009-12-11T11:54:57.570-02:00</updated><title type='text'>Quatro segundos</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;Uma noite, da casa humilde em que viviam, os velhos ouviram um som arranhado e agudo como o de garfos riscando vidro. Aquilo tinha se iniciado de maneira discreta e apagada e fora crescendo com o surgimento de pequenas luzes no céu. Em princípio pensaram que os sons e as luzes fossem de vaga-lumes em revoada, mas as manifestações foram crescendo numa completa incompatibilidade com a anatomia de qualquer inseto. As esferas de luz branca que deslizavam no céu ficavam cada vez maiores e mais intrigantes, e aquele perturbador som arranhado não cessava um só instante. No gesto impotente de tentar escapar daquilo que parecia ser um evento extraterreno, a mulher foi para fechar as janelas da casa e percebeu que estavam cercados. As tais luzes gritantes estavam por toda parte e tinham parado no ar, como a fitar o rancho dos velhos. De imediato os dois se ajoelharam e, religiosos como eram, iniciaram uma oração-súplica invocando os poderes altíssimos de Deus-Todo-Poderoso. Em dado momento, porém, tiveram de parar. Não mais conseguiam ouvir suas próprias vozes: o som das esferas de luz era imensamente superior a qualquer coisa que já tinham ouvido em vida; invadiu toda a extensão dos cômodos de sua casa e feriu violentamente seus ouvidos. Com a audição perdida, a visão começava a falhar. Conforme a intensidade das luzes foi aumentando e entrando pelas frestas do casebre, as retinas do casal começaram a queimar. Cegos e surdos, sentiram-se desorientados. Jogaram-se ao chão e, numa demonstração de devotado amor, abraçaram-se. Quatro segundos depois o mundo havia acabado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1987849671813320710-4546452792165725875?l=quartodehora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quartodehora.blogspot.com/feeds/4546452792165725875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1987849671813320710&amp;postID=4546452792165725875&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4546452792165725875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1987849671813320710/posts/default/4546452792165725875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quartodehora.blogspot.com/2008/10/quatro-segundos.html' title='Quatro segundos'/><author><name>Di Spagnuelo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_6jQ0hBP15YE/TM2Oxg1CwiI/AAAAAAAAAQE/lQRrm36hOG8/S220/QH.png'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
